Em entrevista ao Painel Popular, elesbonense Raimundo José Mendes, o ‘Budé’ comenta pré-candidatura a vereador por Teresina, sugere passe livre para estudantes e se mostra a favor da privatização da Eletrobrás Piauí. Veja aqui!

Por José Loiola Neto

Como esperado, o elesbonense Raimundo José Mendes, o Budé, 42 anos, lançou mesmo seu nome como candidato a vereador por Teresina pelo Partido Socialista Brasileiro- PSB em convenção transcorrida no último sábado(30 de julho/2016).

Raimundo José, o Budé no estúdio da Eldorado Fm

Secretário geral do partido na executiva estadual e delegado nacional, Raimundo José Mendes, filho do casal Tenente Romana e Nair Mendes, é médico veterinário por formação e acumula passagens pelo estado da Bahia, e atuação no governo do estado tendo participação importante no trabalho desenvolvido pela Adapi a qual retirou o Piauí da condição de risco desconhecido para área livre de febre aftosa com vacinação, atualmente ele vem estudando Direito, e por conta da jornada eleitoral teve que dá uma parada no curso.

Em entrevista ao Painel Popular/Fm Eldorado em 24 de julho passado, Budé, que já foi secretário de Desenvolvimento Rural revelou que houve consenso em torno da sua candidatura e traçou metas que pretende atingir no decorrer do pleito. Acompanhe os principais trechos da entrevista:

APRESENTAÇÕES
– Minha relação com Elesbão é uma relação de amor enorme. Minha mãe(dona Nair) tinha um pouco de idade para época, daí eu nasci em Teresina pela dificuldade, mas depois do resguardo ela vei para Elesbão, meu umbigo caiu em Elesbão. Minha relação com Elesbão é saudosista e ao mesmo tempo de um amor incondicional. Fiquei em Elesbão Veloso até os 18 anos, aos 16 perdi meu pai(tenente Romana), foi uma situação um pouco complicada pra gente, pra minha mãe, minha irmã Socorrinha, pois tivemos que batalhar muito para conseguir chegar onde chegamos.

APOIO FAMILIAR
– Minha família me deu muito suporte para puder trabalhar. Eu sou neto e filho de servidores público. Servidores público de vergonha, de coletores como seu Santinho Santos, meu avô, coletor, morreu pobre; tenho um tio que foi coletor aqui e isso mostra nossa vida como é. Minhas tias, todas servidoras públicas, todas professoras, me deram exemplo, hoje a maioria dos meus primos também são e que a gente tem que falar isso por que antigamente era normal se falar isso  e hoje você entra na política e já está preocupado porque já é taxado de alguma coisa.

Budé tentará uma vaga à Câmara de Teresina

PERSPECTIVAS NA POLÍTICA
– Se fosse para entrar na política para envergonhar um amigo meu ou minha família eu não estaria aqui falando da minha pré-candidatura, que nasceu do chamado do meu partido. Com a transferência do meu domicílio eleitoral para Teresina  a pedido do ex-governador Wilson Martins começou um clamor do nosso grupo que apoiava o então vereador Rodrigo Martins para preencher essa lacuna deixada por ele que se elegeu deputado federal, dai começaram a me propor isso, em princípio fiquei muito reticente, mas depois de muitos apelos, e meu nome começo a ganhar às ruas, aceitei. Entramos de corpo e alma, queremos fazer uma campanha bonita.

FOCO DA CAMPANHA
– Temos que pensar em princípio na renovação. Isso já é claro nas câmaras de vereadores. Como está a Câmara de Vereadores de Teresina?. De todas as pesquisas que nós temos, ela só fica com 1/3, então só vai eleger dos 29, 12. Deve haver uma reformulação, mais de 60%. Nós temos que trabalhar a Câmara de Vereadores porque uma cidade do porte de Teresina que chega a um milhão de habitantes não pode ter uma Câmara de Vereadores que trabalhe só requerimentos, dando título de cidadão… A coisa que eu acho mais absurda é um candidato a vereador que chega em determinado lugar dizendo: vamos fazer isso e aquilo, como se prefeito fosse, propagando o que não vai cumpri, tem que trabalhar inicialmente o que um vereador faz para a população, o papel dele.

PASSE LIVRE PARA ESTUDANTES
– O PSB a nível nacional tem uma proposta ousada que Eduardo Campos iniciou e que a gente pretende levar dentro do nosso programa que é o passe livre para estudantes, isso aqui não é nenhuma demagogia. Temos fundo para tudo. Não estou dizendo que os fundos não são importantes, mas temos que ter fundos para preservar o que há de melhor que são os estudantes. O estudante muitas vezes não vai porque não tem condição de ir mesmo, não estuda em um colégio melhor porque não tem condição de pegar o ônibus, então porque não dá passe livre para estudantes?. Vamos tirar dinheiro de onde pra esse projeto?. O que a gente faz nesse país é arrecadar. Não sou contra arrecadação de impostos, mas ela tem que ser convertida em serviço público.

VISÃO DE USUÁRIO
– Meu papel, na minha pré-candidatura de vereador, é aquele vereador que vai ter a visão de usuário- usuário do ônibus, do serviço de saúde, educação. Quando o vereador se coloca no lugar do usuário com certeza ele sente na pele o que passa. Tudo isso tem que ser mudado.

APROVEITAMENTO DO SOLO EM THE
– Teresina é uma cidade cortada por dois rios, e 90% da carne que entra em Teresina é de fora, 90% do leite que entra em Teresina é de fora, 90% dos hortifrutigranjeiros que entra em Teresina é de fora. Isso é um absurdo para uma cidade cortada por dois rios. Teresina é capital com a maior zona rural do país, falta explorar, buscar alternativas.

CRÍTICAS AO SETOR ELÉTRICO E A FAVOR DE PRIVATIZAÇÃO
– Nossa energia é de péssima qualidade repassada pela Eletrobras Piauí, inclusive tai na iminência de ser privatizada, e eu penso o seguinte: tem que privatizar sim, sabe porque? porque serviço de energia o cara paga e não quer saber quem é o dono, ele quer receber energia de qualidade. O serviço de energia elétrica é deficitário não apenas em Teresina, mas no estado, precisamos trabalhar isso.

APOIO DE FAMILIARES E AMIGOS
– Ninguém faz campanha sem os amigos. Primeiro lugar a família, fiz uma reunião com minha família e amigos mais próximos, e coloquei pra eles: se um aqui for contra, eu não serei pré-candidato, mas foi consenso total. Conto com 300 amigos direto trabalhando engajado na pré-campanha, muitos amigos daqui, outros de Teresina, conto com apoio que vão ajudar na campanha.

POLITICA EM ELESBÃO
– Nunca tive objetivos políticos aqui. Eu era filiado ao partido desde 2010 mas acompanhava a eleição em Elesbão por alto como acompanho até hoje, nos bastidores.

MOTIVAÇÃO DA PRÉ-CANDIDATURA
– Em primeiro lugar como político que somos, ninguém é candidato de si próprio. Existem vários motivos que levam-nos a seguir nesse rumo. Um dos motivos que me levou a sair pré-candidato a vereador em Teresina foi o chamamento do meu partido. Vivemos um período político conturbado, em todos os níveis o eleitor anda confuso, há um problema muito sério de identificação do eleitor com o político.

CAUSA DO MOMENTO POLÍTICO CONTURBADO
– O problema maior são as condições que são dadas ao eleitor. Não tivemos uma reforma política que pudesse trazer ao eleitor não apenas a possibilidade de eleger o seu representante, mas que esse representante possa trabalhar com tranquilidade e dentro dos padrões.

CRÍTICAS AO INCHAÇO PARTIDÁRIO
– Temos um país com mais de 30 partidos e aí eu pergunto a você: será que existem 30 ideologias?. É muita coisa. Esse inchaço atrapalha muito porque se negocia, desculpa o termo: ‘em separado’. Os partidos não conversam. Hoje, o cara está na oposição, quando termina a eleição, antes da posse ele já está na situação, e isso muda muito. A presidência de coalizão foi um dos responsáveis por essa confusão toda e o eleitor fica confuso. O eleitor não tem culpa porque ele vota nos nomes que foram propostos e espera que quele nome que ele elegeu mude alguma coisa, e a tendência, infelizmente está piorando. Para fazer política como estamos fazendo hoje, lhe digo de certeza como pré-candidato, a gente perde meia hora para desmontar aquela armadura que ficou no eleitor porque ele não está gostando de nada do que está acontecendo hoje, mas eu vejo que as coisas estão clareando e temos que confiar nos homens e mulheres de bem desse País, do nosso Estado, dos nossos municípios, pois com certeza as coisas tem que mudar porque a regra é essa e temos que jogar com as regras, mas com peças de qualidade.

ENTRADA NA POLÍTICA
– Eu me formei em medicina veterinária no ano 2000. Em 2003, passei em concurso no estado da Bahia para Agência de Defesa, passei cinco anos lá. De lá fiz um concurso para o Piauí, passei e ingressei em 2008 na Agência de Defesa Agropecuária- Adapi, onde fizemos um trabalho fantástico, maravilhoso com com toda equipe da Adapi que colocou o Piauí da zona livre da vacinação de febre aftosa. À época, a Adapi era uma indicação do então vice-governador Wilson Martins, a partir daí passamos a ter essa aproximação à princípio institucional e técnica, depois começamos a trabalhar politicamente, me filiei ao PSB aui em Elesbão Veloso, depois retornei a Teresina. Em 2010, tivemos a campanha para governador, entramos e trabalhamos junto com ele, que foi eleito, hoje temos laços bem estreitados, é um amigo que eu tenho, um irmão, temos trabalhado junto. Passou o tempo, em 2012, o PSB lançou o jornalista Beto Rego para prefeito e ele me chamou para primeira missão política que foi coordenar a campanha do Beto Rego.

OPINIÃO SOBRE O SENADO DO PIAUÍ
– Em 2014 tivemos o in-fortuito da não-eleição do governador Wilson Martins para o senado, por vários motivos, todo mundo sabe a hola que correu esse Estado, e taí comprovado como o Piauí está precisando de senador. Temos ali quem articula, atuando o senador Ciro Nogueira que faz um bom trabalho; temos a Regina(Sousa), mas ela trabalha fortemente nas suas bases, é uma senadora muito focada em um grupo, você não vê um trabalho expandido a nível de estado e o Elmano é aquela coisa- uma indecisão danada. O Senado é a casa da igualdade. O Piauí é igual a São Paulo no Senado. Na Câmara, São Paulo tem muito mais deputados, no Senado é hora de igualar. Acho que o Piauí perdeu muito com a não-eleição de Wilson Martins, que é um político articulador, que Elesbão Veloso conhece.

INSUCESSO DE WILSON NAS URNAS EM 2014
– Várias coisas. Primeiro aquela tragédia que foi a morte do Eduardo Campos, que ninguém contava. Tínhamos um candidato a presidente que estava começando a engatar sua campanha e houve aquela tragédia, mas mostrou o lado que o Wilson Martins tem, ele acompanhou e rompeu junto com o Eduardo com o PT à época para acompanhar o seu candidato a presidente. Mas são águas passadas, eleição não se trabalha só a questão da vitória, muitos políticos tarimbados e renomados não tiveram sucesso nas urnas, e tem que erguer a cabeça, bola pra frente…

CONVERSA COM WILSON
– Ainda em 2014, depois das eleições o Wilson conversou comigo e disse que mesmo sem mandato precisava organizar o partido e precisava de mim para trabalhar nesse processo de organização. Em política é assim: quem trabalha com mágoa e ressentimento não pode entrar em política. Não há só vitórias. Quem não experimentou o sabor amargo da derrota nas urnas, um dia irá experimentar, é só ele continuar na política…

A VOLTA DE WILSON EM 2018
– Ele tem a mania de dizer que o futuro a Deus pertence. Pra ser candidato a qualquer coisa você precisa ter um partido organizado, forte. A eleição de 2018 não pode ser pensada sem passar pela de 2016. Ela servirá de parâmetro. Vamos ver. Estamos lançando cerca de 80 candidatos a prefeito no Piauí, 20 a 30 vice-prefeitos; temos o plano de fazer de 35 a 40 prefeitos. Em 2012, o PSB saiu como partido mais fortalecido com 51 prefeitos, sabemos das atuais condições, mas estamos trabalhando intensamente em cidades estratégicas para manter os mandatos e principalmente aumentar o que já tínhamos. Quanto ao Wilson em 2018, o povo é quem vai dizer, ele é o nosso líder, tem um trabalho intenso junto ao partido, todos conhecem seu trabalho o que ele fez para o Piauí e como trabalhou por esse Estado. Não existe uma cidade no Piauí que não tenha a marca do seu governo, não existe na história do Piauí um governador que mais trabalhou Plano de Cargos e Salários e Carreiras e que deixou uma organização administrativa e fiscal, e hoje o Piauí não padece tanto como os outros estados pela marca de austeridade fiscal e administrativa do governo Wilson Martins.