DE OLHO NA LÍNGUA – Professor Antônio da Costa – Sobral-CE

 

TELEVISAR OU TELEVISIONAR?
Ambas corretas, a exemplo de supervisar e supervisionar. Muitos dicionários apontam a primeira forma como preferível. Gostaríamos de saber baseado em quê. Televisionar é palavra muito bem formada, apesar de híbrida: vem do grego: tele (longe) e do latim: vísio, visionis (visão). Os que defendem verbalmente a forma televisar argumentam que, ao se retirar a terminação – ão,  tem-se televis -; acrescentando-se o sufixo verbal – ar, ocorre televisar, e não televisionar. Mas o raciocínio não nos parece muito acertado. Fosse assim, teríamos, então, os verbos questar (e não questionar), adiçar (e não adicionar), sançar (e não sacionar), coleçar (e não colecionar). Portanto, se o leitor usar televisionamento em vez de televisamento, estará não só usando o rigorosamente correto, como também o mais usual.  Que a imprensa falada,  escrita e televisionada faça o registro!

ESTA NOITE NÃO PREGUEI O OLHO OU ESTA NOITE NÃO PREGUEI OLHO?
A segunda. A locução adverbial que equivale a “dormir” é pregar olho, sem artigo, e o substantivo também não deve estar  no plural: “preguei olhos”; “Vai caminhando para a meia-noite e ainda não, preguei olho” (Coelho Neto); “Da meia-noite para cá,  não pude mais pregar olho”(V. Taunay)

O ANALFABETISMO É UM AGRAVANTE OU UMA AGRAVANTE?
O analfabetismo, assim como falta de respeito, será sempre uma agravante na formação de qualquer personalidade. A exemplo de atenuante, a palavra agravante é feminina, apesar de muita gente boa usá-la como masculina, o agravante, o atenuante, doravante use a atenuante, a agravante.

PERSONAGEM (GÊNERO)
O gênero da palavra personagem ainda não está firmado, encontrando-se tanto no masculino quanto no feminino.  Etimologicamente, provindo de “personaticum”  pode ser feminino; mas analogicamente, isto é, por pertencer, ao grupo dos nomes terminados em “agem”, foi primeiro masculino: O personagem, o viagem, o linguagem; passou depois ao feminino. Atualmente fazem a concordância de gênero siléptica, isto é, com o nome oculto a que se refere: O personagem, se se referir a homem: A personagem, se se referir a mulher. Eu, particularmente só emprego a palavra como feminino (a personagem, para ambos os sexos), pois, os gramáticos consideram o personagem, como francesismo.

POSSO DAR UM CHEGO A ALGUM LUGAR?
Se quiser chegar bem, com saúde, prefira dar uma chegada (a qualquer lugar): a forma chego só existe mesmo para eu (eu chego), e não para um (um chego).

PODE HAVER SUCATEAMENTO DO NOSSO PARQUE INDUSTRIAL?
Não. Se um dia o nosso parque industrial se tornar obsoleto, poderá haver, sim, seu sucatamento, já que o verbo existente em nossa língua é sucatar (de que vem sucatamento), e não sucatear. Os jornalistas brasileiros, entretanto, estão promovendo acelerada e desavergonhadamente o sucatamento da nossa língua, muitas vezes em conluio com políticos.

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Escreve esta Coluna toda terça-feira. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.