DE OLHO NA LÍNGUA: Dicas de português com o professor Antonio da Costa de Sobral-CE.

Professor Antonio da Costa

“HOJE É PRIMEIRO DE ABRIL” OU “HOJE É UM DE ABRIL”?
Ambas corretas. Na designação do primeiro dia do mês, podemos empregar o ordinal ou o cardinal, embora seja mais corrente o ordinal: Hoje é primeiro de maio (ou: Hoje é um dia maio). Há gramáticos que só aceitam a primeira forma (Hoje é primeiro de maio); condenam a segunda forma (Hoje é um de maio). A maioria deles aceita as duas formas.

“MACHUQUEI O DEDO” OU “MACHUQUEI O MEU DEDO”?
Machuquei o dedo. Não há necessidade nenhuma de dizer “Machuquei o meu dedo”, porque para o ouvinte entender que o dedo é de outra pessoa naturalmente se usará: Machuquei o dedo dela (ou dele). Observe que a desinência de “machuquei” (a desinência ‘ei’) é referente à primeira pessoa (eu). Exs.: Rapei a cabeça (e não: Rapei a minha cabeça); Vou escovar os dentes (e não: Vou escovar os meus dentes); Vou já lavar as mãos (e não: Vou já lavar as minhas mãos); Juçara sujou a blusa (e não: Juçara sujou a sua blusa); Perdi os sentidos (e não: Perdi os meus sentidos).
“CHAMEI-O DE SANTO” OU “CHAMEI-LHE DE SANTO”?
Ambas corretas. Com o verbo chamar, no sentido de apelidar, pode aparecer predicativo do objeto indireto, pois esse verbo admite duas regências: ‘Chamei-o de santo’ ou ‘chamei-lhe de santo’.
MEIO (CONCORDÂNCIA NOMINAL)
Como adjetivo, modificando um substantivo, “meio” deve concordar: meio limão, meia laranja, meio-dia, meio-dia e meia (hora), meia-noite, etc. Exs.: A mim basta meia porção; Já li noventa páginas, exatamente meio livro; “Eram línguas e meias línguas” (Vieira).
Como advérbio, modificando adjetivo, “meio” fica invariável. Exs.: A porta estava meio aberta; “Descobri a alguns passos, meio enterrada, uma velha chinela de ferro” (Alencar); “A bandeira portuguesa é meio verde, meio vermelha” (Cândido Jucá Filho).
OBSERVAÇÃO: Como advérbio, modificando um adjetivo, aparece, às vezes, concordando por atração com o gênero da palavra modificada pelo adjetivo. Exs.: “Sofia escutou-as com prazer, meia caída para trás, como se desmaiasse” (M. de Assis); “Até o monte em que, já meia adormecida, falava com Peri” (Alencar); “Maria é meia maluca” (M. de Assis).

PÁGINA DOIS / CASA DUZENTOS E UM (CONCORDÂNCIA NOMINAL)
Pode-se empregar o numeral cardinal (um, dois, três, etc.) com o sentido de ordinal (primeiro, segundo, terceiro, etc.) após certos nomes de coisas que se apresentam em série (páginas, folhas, casas, etc.). Entretanto, o numeral cardinal concordará, em tal caso, com a palavra “número” subentendida. Exs.: A referência aos estrangeiros se encontra à página dois; Moro na casa duzentos e vinte e um; No livro de Atas faltava a folha quatrocento

OBSERVAÇÃO: Na linguagem forense é hábito dizer-se: A folhas duas do processo…; A folhas trinta e uma.

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.