DE OLHO NA LÍNGUA: Dicas de português pelo professor Antônio da Costa, de Sobral-CE

SUBSTANTIVO: CONCRETO X ABSTRATO: DEUS, ANJO, DEMÔNIO, ALMA, LOBISOMEM SÃO SUBSTANTIVOS CONCRETOS OU ABSTRATOS?

São substantivos concretos, com toda certeza. Veja a definição de substantivo concreto que o gramático Hildebrando A. de André dá em sua excelente Gramática Ilustrada à pág. 103:
Substantivo concreto – Nome de ser que existe por si (concreto, real) ou apresenta-se em nossa imaginação como se existisse por si (concreto fictício). Exemplos de concretos reais: casa, homem, pedra, José, Brasil, etc. Exemplos de concretos fictícios: bruxa, Saci, lobisomem, mula-sem-cabeça, fada, etc.

Substantivo abstrato – Nome de ser que só tem existência dependente de outro ser, ou seja, nome de uma qualidade, de um estado, de um sentimento, de uma sensação, de uma ação, etc. Exs.: beleza, crueldade, brancura, saúde, crença, ciúme, vaidade, esperança, pensamento, etc. A beleza, por si, não existe; ela, para existir, se manifesta em uma pessoa, uma paisagem, um objeto, etc. A coragem, por si, não existe (depende de um ser humano para que ela exista).

Observação: A forma dos seres designados pelos substantivos abstratos não é captada pela imaginação; é entendida pela inteligência. A forma dos seres designados pelos substantivos concretos é apreendida pela imaginação, pois os seres concretos possuem forma física ou apresentam-se com forma física fictícia.
Julgamos que Deus, alma, anjo, demônio devem ser incluídos entre os substantivos concretos reais, porque, quando empregamos tais nomes, no ato da fala, referimo-nos a seres que existem por si realmente, muito embora não tenham forma física (suas representações materiais são meros símbolos convencionais). Portanto, aquilo de dizer que substantivo concreto é aquele que se pega e vê, e substantivo abstrato é aquele que não se pega e não se vê, é balela que nossos professores inventaram quando éramos crianças.

ENTRADA É PROIBIDO / A ENTRADA É PROIBIDA (CONCORDÂNCIA NOMINAL)
Quando o sujeito do verbo “ser” é tomado em sua generalidade, sem qualquer determinante, o adjetivo que está na função de predicativo permanece neutro (forma do masculino). Exs.: Pimenta é bom para tempero; Entrada é proibido; Caça não é vedado nesta época do ano; Paciência é necessário.
Entretanto, se o substantivo, na função de sujeito, vier determinado, a concordância do predicativo será regular. Exs. Pimenta é bom para tempero, mas esta pimenta não é boa para nada; A entrada é proibida; Aquela caça é permitida? “Esta Água de Melissa é boa” (Carlos Góis)
 
SUBSISTÊNCIA (PRONÚNCIA)
Subsistência significa existência individual, subsistente, manutenção de vida. Evite dizer: “sub’zistência”. O verbo subsistir se pronuncia “sub’sistir”, e não subzistir. O mesmo se diga para a palavra subsídio, dando ao “s” o som de “c” (subcídio) e não subzídio, como alguns pseudointelectuais costumam dizer.
 
TÊXTIL (TÊSTIL)
O plural têxteis também tem o primeiro “e” fechado (ê). Evite dizer “tésteis” (té), como fazem os locutores e repórteres despreparados.

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542