Elesbonense Zé de Jesus, subtenente do Exército participa de missão no Haiti e traça realidade do país: “povo sofrido”

José de Jesus, subtenente do 2º BEC fala ao Painel Popular

O elesbonense José de Jesus Rodrigues Oliveira, subtenente do Exército- 2º BEC sediado em Teresina-PI esteve muito recentemente participando de uma missão de paz no Haiti. Em entrevista ao Painel Popular/FM Eldorado, José de Jesus com mais de 20 anos de experiência no Exército disse que encarou o desafio que durou cinco meses como um aprendizado, visto que ainda não havia participado de missões dessa envergadura.

– A gente conviveu com o povo haitiano, bastante sofrido, tanto pelas condições sociais e até naturais já que é uma área muito propícia a terremotos, furacões e enchentes, têm ainda a questão da miséria, já que 95% da população vive abaixo da linha da pobreza. Tivemos essa oportunidade de participar com o intuito de melhorar a qualidade de vida daquele povo. Lá, durante nossa estadia perfuramos 3 poços, pode parecer pouco, mas as dificuldades são enormes.

Além da perfuração dos poços artesianos, Zé de Jesus disse que foram desobstruídas muitas vias. Ele relatou que houve a passagem de um furacão, em razão disso, o Exército teve que atender muita gente, bem como procurar por desaparecidos e distribuir mantimentos enviados por ONG´s.

O subtenente informou que durante a missão foi registrada a perda de um companheiro que trabalhava em prol da população haitiana. Zé de Jesus destaca que a partir do que viu no Haiti, os brasileiro precisam valorizar o que possuem.

– Muita coisa que para nós brasileiros é normal, lá no Haiti falta, por exemplo- água, muito difícil o acesso, devido principalmente a poluição, saneamento básico não tem 2% de cobertura em toda a capital que é Porto Príncipe; energia elétrica é cara e poucas pessoas podem pagar.

Segundo Zé de Jesus, a linha de pobreza no Haiti é fora do normal, não dando para comparar em hipótese alguma com qualquer comunidade no Brasil, haja vista que lá está bem abaixo de todos os níveis sociais em nosso país.

No campo pessoal, levando em conta a missão que integrou, Zé de Jesus disse que vale a pena procurar melhorar a condição de vida da população no Brasil ou em qualquer outra parte do mundo. Ele conta que se sentiu satisfeito e com sensação de dever cumprido, visto que conseguiu ajudar direta e indiretamente as pessoas haitianas, na sua concepção muito acolhedoras.

– Foi uma forma de aprendizado de outras culturas. Lá a gente conviveu com gente dos Estados Unidos, Filipinas, Guatemala, Paraguai, Chile, Nepal, enfim, a gente consegue assimilar cultura e vê que cada um tem suas idiossincrasias. Apesar de todas as dificuldades que o povo atravessa, os haitianos são alegres, víamos isso quando as crianças iam para escola. Outro detalhe bem importante, não ouvir falar em assalto, assassinato, roubo ou assalto a mão armada, um aspecto bem positivo no Haiti.

A economia do Haiti está comprometida em razão das últimas catástrofes registradas no país, que também teve desgastada em face de fenômenos como terremotos praticamente toda sua vegetação, dessa forma raramente é encontrada uma árvore em toda a extensão territorial do país.

José de Jesus encerra comentando como recebeu a empreitada de compor a equipe do Exército que rumou ao Haiti. Ele disse que em princípio, apesar de participar de missões a 12 anos, ficou preocupado por se tratar de um lugar que não conhecia. O subtenente fala também como foi o contato com a famílias nos mais de 150 dias longe de casa.

– A gente tem medo do desconhecido, ao mesmo tempo precisamos vencê-lo. Lá no Haiti temos um sistema de internet muito bom e isso facilitou o contato com a família. Temos também os dias de dispensa, que a gente podia ter vindo ao Brasil, mas eu não tive essa oportunidade. Em princípio a gente retornaria somente em fevereiro, mas foi antecipado.

O contingente o qual o subtenente José de Jesus compôs foi o 24º, que contou com a participação de 4 piauienses, no momento já opera o 25º contingente com 9 integrantes do 2º BEC.

Por José Loiola Neto