PAPO COM IDOSOS: Quase aos 80, aposentado Antonio Chaves vive solitariamente na zona rural de Elesbão Veloso. Ele conta que tinha muita vontade de estudar e não faz estimativa o quanto deverá viver: “O futuro pertence a Deus”

O lavrador e aposentado ANTÔNIO MACEDO DE ARAÚJO, o Antonio Chaves, 79 anos, foi entrevistado no quadro “Papo com Idosos” do Painel Popular, domingo passado e em detalhes narrou um pouco da sua vida, passada praticamente na sua totalidade na zona rural mais especificamente na localidade Baixa da Areia, onde nasceu e se criou. Um dos seis filhos do casal Francisco de Araújo Chaves e Maria Macedo da Silva, seu Antonio lamentou não ter podido estudar, por falta de oportunidade.

– Vivi no tempo do atraso, perdi muito da minha inteligência, tinha muita vontade de ter me formado, mas não tive oportunidade. Durante a década de 1960 gostaria de ter ido a São Paulo, mas meu pai não deixou, aos 18 anos queria ir ao Exército, mas ele também não aceitou.

Um detalhe bem peculiar do nosso entrevistado que chama a atenção o fato de ele não ter casado, teve duas uniões estáveis, em uma delas a companheira faleceu, na outra, segundo ele sem nenhuma causa aparente o relacionamento chegou ao fim. Depois disso, achou por bem seguir a vida sozinho.

– O destino se encarrega de resolver tudo, não adianta buscar explicação para saber quem está certo ou errado. Com quase 80 anos não penso em ter mais ninguém, tenho que me acalmar porque quem de novo não morre, de velho não escapa.

Perguntando como é viver sozinho, seu Antonio disse que é um pouco ‘pesado’ e se o sujeito não tiver muita fé em Deus e em não dá para resistir porque a barra é pesada.

– Minha rotina começa cedo, ainda de madrugada, já às 3h30 estou acordado para fazer café e o almoço. Tenho 10 tarefas de terras para plantar.

Seu Antonio é dono de patrimônio considerável, na medida em que possui centenas de hectares de terras na Baixa da Areia, ponto comercial e casas espalhadas por Elesbão Veloso.

– Tenho cinco casas e um ponto comercial próximo a ponte, onde já foi a churrascaria Beira Rio, que adquiri do Zé Detim.

Ele gaba-se por não ter saído de Elesbão Veloso em busca de uma oportunidade, e se fosse ao contrário gostaria de ter estudado.

– Mesmo assim aprendi a ler sem ir à escola, faço uma carta, resolvo meus problemas

 Uma curiosidade- seu Antonio Chaves foi sanfoneiro, lembrou que adquiriu uma sanfona em 1959, a partir dai passou pelo menos três anos animando forró.

– Depois surgiram os conjuntos, e o pessoal foi esquecendo quem tocava apenas sanfona, ainda sei tocar sanfona.

Seu Antonio Chaves vai vivendo tranquilo em Baixa da Areia, onde fica a semana inteira e dá uma esticada na cidade apenas aos sábados. Convicto de que poderia ter estudado mais, ele faz recomendações aos jovens.

– Hoje as oportunidades são bem maiores que aquela época, um pobre hoje pode não ter nada, mas se ele quiser estudar tem a faculdade de graça ao contrário daquele tempo que não havia nada.

No aspecto saúde, seu Antonio Chaves diz não estar 100%, é hipertenso, gastrite e osteoporose, em razão desses males toma remédios regularmente, por viver só, prepara sua alimentação, que reconhece não ser das melhoras, porém o cuidado necessário é adotado. Às portas de completar 80 anos, seu Antonio não traça nenhuma estimativa de vida para o futuro.

– O futuro pertence a Deus, o que ele mandar pra mim tá bom, quantos que nem chegaram a essa idade? e eu ainda estou vivo para contar a história, tenho muito a agradecer.

Por: José Loiola Neto.