PAPO COM IDOSOS: Seu Eufrausino Moura, ex-técnico em eletrônica disse que adora a atividade de lavrador. Ele colocou uma rádio no ar na cidade em 1989. Saiba aqui

No Painel Popular- 655, domingo passado, dia 15/1, o entrevistado do quadro Papo com Idosos foi o senhor Eufrausino Soares de Moura, 70 anos(25/03/1946), nascido na localidade Monte Calmo, zona rural de São Félix do Piaui, porém vivendo em Elesbão Veloso.

Um dos sete filhos do casal Manoel de Moura Macedo e Maria Soares de Macedo(ambos em memória), Seu Eufrausino foi um técnico em eletrônico, e durante muitos anos possuiu uma oficina para consertos de rádios, televisores e ventiladores, localizada em uma área à beira do riacho Corotá, imediações da barragem das Prexedas.

Papo com Idosos: Seu Eufrausino fala ao Painel Popular

O forte dele, no entanto, era o roçado, atividade que sempre exerceu, a partir dos primeiros anos de vida, ainda na comunidade Monte Calmo, junto ao pai e irmãos. A atividade de eletrônica veio depois do casamento com dona Cândida, no começo dos anos 1970. O casal teve seis filhos, estes já lhes deram netos.

– Fiz um curso em eletrônica, a partir dai, passei a fazer alguns serviços, que na verdade considerava um ‘bico’, nunca fui técnico em eletrônico, eu consertava um rádio aqui, outro acolá somente nas horas vagas, mas a minha área mesmo era e sempre foi roça.

Nesse particular, o lavrador lembrou dos locais onde chegou a fazer roças, citando a Lagoa de Fora, Xique-Xique e Várze Alegre. Atualmente, ele se encontra um pouco afastado do roçado, visto que vem tentando concluir uma reforma completa em sua casa. Seu Eufrausino lembrou que no segmento da agricultura possui três curso de hortas.

– Futuramente quero me dedicar ao ramo de hortas, até porque eu já comecei, fiz hortas perto da pousada Rodeio, na Rocinha, perto do riacho Coroatá, produzindo alface, cebola, tomate. Produzia para consumo e vendia, dava para tirar uma renda.

Seu Eufrausino disse que nunca se considerou técnico em eletrônica: “eu sou é lavrador”

Seu Eufrausino lembrou que chegou a estudar em Elesbão Veloso, primeiro na U.E.José Martins, a mais antiga repartição de ensino na cidade, depois na U.E.Monsenhor Cícero Portela(CNEC).

– Parei na sexta série, deu para aprender alguma coisa, fiz um curso de rádio eletrônica, tinha muito vontade de prosseguir com os estudos, mas não deu certo.

No transcorrer do ano 1989, em sua própria oficina, seu Eufrausino conseguiu colocar no ar uma emissora de rádio.

– Aquilo é porque eu queria ser um técnico em eletrônica, naquela época estava estudando, dali aprendi a como fazer uma rádio amadora AM e FM, foi uma brincadeira, a rádio estava bem ouvida na cidade, tive informação que ela chegou a entrar em Francinópolis e Barra D´Alcântara.

No aspecto saúde, Seu Eufrausino, um sujeito desprovido de quaisquer vícios disse estar bem na medida do possível. Nos últimos anos, acidentalmente levou duas quedas de uma escada, enquanto trabalhava, forçando sua ida ao HUT.

– Cheguei a fraturar braço, tive problema em uma das pernas, escapei por milagre . Ainda fiquei alguns dias em cadeira de rodas, hoje estou bem, resolvendo minhas coisas, adoro minha vida, me cuido bastante, me zelo, estou tranquilo, posso imaginar que posso viver muito ainda.

Seu Eufrausino com a esposa, Dona Cândida. União rendeu seis filhos

Ao analisar a Elesbão Veloso atual e a de outrora, quando ele chegara oriundo de São Félix do Piauí, Seu Eufrausino destaca a cidade mudou bastante, sobretudo no que tange a área urbana. Seu Eufrausino comenta inclusive sobre a famosa barragem dos Prexedes, próxima a sua casa.

– Mudou demais. Quando conheci aqui, ainda era Coroatá, estudava, depois passou a ser cidade, conheço isso aqui desde o começo, sei muito daqui, lembro inclusive quando estavam fazendo a barragem, tinha também um matadouro bem próximo dela; a matança de animais era durante a madrugada de sexta; o movimento era grande. O riacho Coroatá se não era tão limpo não era imundo como agora. As mortes na barragem era por conta da ousadia, muitos pulavam de cima do pé de oiticica, ai acabavam morrendo, foi assim com a filha do finado Acelino Sapateiro; o Zé do Abdoral morreu também nessa barragem.

Em matéria de religião, nosso entrevistado se autodefiniu como católico, porém, não chega a ser um assíduo participante das celebrações na Matriz de Santa Teresinha.

– Visito a igreja católica quando posso, meus filhos são batizado lá, mas não sou praticante.

Por: José Loiola Neto.