Caminhoneiro José Pereira Filho, o “Tochá” comenta andanças pelo Brasil afora e relembra sua atuação como goleiro no futebol elesbonense: “tenho saudades”.

Por: José Loiola Neto/Elesbão News

Entre uma folga e outra, sempre que pode o caminhoneiro Francisco Pereira da Silva Filho, o “Tochá” dá um pulinho à sua terra natal– Elesbão Veloso, e visita amigos e familiares na Rua do Fio, onde durante os anos 1990 disputou vários campeonatos como goleiro.

Semana passada, ele acompanhou Rua do Fio 3 x 3 Piçarra pela Copa Verão, no Clube Recreativo Elesbonense-CRE. Antes do jogo, ouvido pela Eldorado Fm, Tochá falou um pouco da nova profissão, a de caminhoneiro, que tem lhe proporcionado a oportunidade de rodar grande parte desse imenso Brasil.

– Nessa viagem vim até Teresina e tive a felicidade de hoje puder acompanhar um jogo da Rua do Fio.

Caminhoneiro Tochá rodando por esse Brasilzão de Meu Deus: “Só não conheço ainda AM, AP e RR”

A vida como caminhoneiro, lembra Tochá, começou quando ele chegou em São Paulo há mais de 18 anos, quando começou a trabalhar na área de transporte, dirigindo caminhões para empresa em que trabalhava como conferente, dai veio o gosto pelo o que fazia e já se vão mais de uma década e meia na lida.

– É a segunda empresa de transporte que eu trabalho. A gente transporta produtos Tupperware e pneus Michelin.

Nesse tempo todo como caminhoneiro rasgando estradas Brasil afora, Tochá disse que viu de tudo um pouco, inclusive acidentes impressionantes, os quais o ser humano “precisa ter estômago para suportar”.

– Já vi colegas presos em ferragens. É uma profissão dolorida porque a gente fica muito tempo longe de casa, praticamente a gente não ver os filhos crescerem. De 30 dias em um mês a gente passa de 5 a 6 dias em casa, mas é o que a gente gosta…

Tochá enquanto goleiro: passagens por Rua do Fio, Cirino e Vila Nova.

Tochá assegura estar no ramo em que gosta, apesar das dificuldades, já que segundo ele, “o governo está matando”, à título de exemplo ele citou o fato de os bolivianos estarem vindo aqui buscar diesel a R$ 0,86, enquanto em Mato Grosso, que fica bem próximo dali é pago entre R$ 3,40 e 3,50 no óleo diesel, no Piauí em torno de R$ 3,10, na Bahia R$ 2,80; estão pagando mais de R$ 2,00 só de impostos, algo que incomoda os caminhoneiros.

Com vários quilômetros rodados pelo País, Tochá disse que não conhece apenas os estados do Amazonas, Roraima e Amapá, o restante foram percorridos; nos países vizinhos esteve na Argentina, Paraguai e Bolívia. Conta que nunca passou por perrengues, assaltos, por exemplo.

Aos jovens que sonham ser caminhoneiro, Tochá disse que se for possível evitar seria bom, se bem que ele considera “o caminhão como uma droga”, que depois que a pessoa acostuma não larga mais, dada a liberdade não oferecida por outros serviços. Mesmo assim, está difícil trabalhar, questionado, ele falou sobre o ganho real de um caminhoneiro.

– Hoje os caminhoneiro que trabalham por comissão ganham em cima de um salário-base fixo que varia de acordo com o estado; em São Paulo está R$ 1.600,00, em Goiás R$ 980, isso varia conforme o lugar,  a gente trabalha em cima de comissões.

Tochá ressalta que é expansivo o ciclo de amizades conquistadas pelas estradas, prova disto é um grupo no WhatsApp, que tem em torno de 2 mil caminhoneiros, um canal para trocar ideias, informações sobre trajetos, roteiros de viagens, trechos propícios à assaltos etc.

Em relação às greves, Tochá afirmou que sempre que possível integra os movimentos que cobram e reivindicam melhorias para categoria, mas descarta o que chamou de “greve burra”, explicando que esse termo é cabível quando as estradas são interrompidas.

– Aquela baderna em estradas não é a gente, pode ter certeza que ali é gente de fora envolvida, não são os caminhoneiros; caminhoneiro em greve encosta o caminhão e fica em casa.

Do alto dos seus mais de 120 quilos, Tochá revelou que não traz consigo nenhum arrependimento por ter abdicado dos estudos e ter optado por ser caminhoneiro, haja vista que tudo que possui agradece a Deus e o caminhão. Ele disse que a saudade é grande da família, na medida em que há vezes em que passa Natal, fim de ano e aniversário longe de casa. No final, ele recordou sua vida enquanto goleiro no futebol elesbonense.

– Como atleta joguei pelo time da Rua do Fio; por muito tempo joguei pelo time do Antonio João, time do Ronaldo Barbosa, o Selecionado Vila Nova e joguei pelo Cirino; foram apenas essas três equipes que resume minha história como goleiro aqui em Elesbão. Valeu muito a pena, tenho saudades, tanto é que sempre que temos um tempinho a gente vem prestigiar a cidade.