PERFIL- Professor Raimundo Beserra, o “Mundu” relembra sua trajetória em sala de aula no Piauí e Maranhão, defende escola pública e se considera um sujeito realizado: “não tenho o que reclamar”.

Por: José Loiola Neto, do Elesbão News

O professor Raimundo Beserra Filho, o “Mundu”, casado com dona Maria das Neves, nutricionista aposentada; pai de duas filhas, radicado em Teresina a partir de 1978, é um dos filhos do casal DIDICO e DONA MORENA, ambos em memória foi nosso entrevistado no quadro Perfil do Painel Popular/FM Eldorado Edição 767 do Domingo de Páscoa- 16 de abril. .

Nascido em Elesbão Veloso, cursou as primeiras séries em sua terra natal, onde foi professor, mais tarde rumou para o Recife, lá morou e estudou por algum tempo, retornou ao Piauí, se tornou professor efetivo da rede estadual, exerceu a docência no vizinho estado do Maranhão.

Professo Raimundo Beserra Filho, o Mundu: entrevista interessante ao Painel

Aposentado pela rede pública do Maranhão desde 2012 e no Piauí a partir de 2015, Raimundo Filho relembrou ao Perfil que iniciou a vida escolar cursando o antigo primário no Grupo Escolar José Martins, tendo como primeira professora dona Maria Bezerra.

– Eu lembro que naquela época tinha um exame de admissão e era muito mais difícil que o vestibular dos dias atuais, passei e fui cursar o ginásio na Unidade Escolar Monsenhor Cícero Portela.

Aluno dedicado, Mundu recorda que durante o curso ginasial sempre era primeiro ou segundo colocado. Ele reconhece que não fosse os estudos não teria uma vida tranquila. Concluído o primeiro grau, ele seguiu para terras pernambucanas.

– Fui para o Recife, lá fiz o ensino médio, antigo segundo grau, fiz vestibular, passei para zootecnia, mas como o ensino era diurno e eu não tinha condição de me manter porque tinha que trabalhar também, resolvi retornar ao Piauí.

Ao Painel Popular, “Mundu” revelou que em princípio queria muito ingressar no curso de agronomia.

– Naquela época a gente como adolescente não tinha ainda uma formação, além disso, era o que estava dando dinheiro, então fiz agronomia no Recife, em São Luis, mas depois pensei, como vou fazer uma coisa que eu não gosto?, porque agronomia é para quem lida com campo, com roça.

Apaixonado por números, fez faculdade para Matemática, ressaltou que inicialmente o curso era Licenciatura Plena em Ciências, depois de ingressar na faculdade, o aluno fazia opção.

No retorno a Elesbão Veloso após a estadia no Recife, a convite da professora Socorro Sales, então diretora da Escola Ginasial Monsenhor Cícero Portela, encarou o desafio de ministrar aulas de Português para as turmas de 7ª e 8ª séries durante um ano, depois, ao final do ano 1978 foi para Teresina com intuito de prestar vestibular.

O ingresso na rede pública do Maranhão foi via Projeto Bandeirantes, dois anos depois de atuação submeteu-se a concurso interno e obteve aprovação em 3º lugar.

– Minha média foi 9.2 para ministrar aulas para ensino médio em Timon.

Com propriedade de sobras para opinar sobre sala de aula, já que  acumulou experiência por mais de 40 anos, Mundu observa que o comportamento do aluna-do e as práticas docentes  mudou demais e há uma diferença muito grande.

– Quando comecei, aluno respeitava professor, a gente era o maioral mesmo, eram mais dedicados, procuravam ter média de aprovação, respeitavam os professores, estudavam, os alunos tinham mais interesse.

Perguntando o porque da mudança de cenário, professor “Mundu” atribui em parte o avanço tecnológico notadamente visto nos últimos anos.

– O celular tem prendido muito os jovens. É bom que se diga, no entanto que ele não apenas prejudica, ajuda muito, no meio de tudo isso, tem pontos positivo e negativo.

No bate papo ao Perfil, fora as mazelas, Mundu que dentre outras escolas lecionou no Benjamin Batista, João Clímaco, Instituto de Educação Antonino Freire, Engenheiro Sampaio, em Teresina, e em Timon, no Jacira Oliveira e Silva disse que adorou ter sido professor, em que pese os perrengues enfrentados.

– E isso acontecia porque eu não abria mão da minha autonomia, alguns diziam que eu era carrasco, e eu respondia que apenas queria que eles aprendessem. Encontrei alunos que furaram pneus do meu carro. Mas tudo foi superado, não tenho nenhum aluno inimigo, pelo contrário, tudo ficou bem no final.

Com ligeira passagem pela rede privada na capital, atendendo a convite de um amigo, Mundu conta que é defensor nato da escola pública.

– Não sou a favor da escola particular, defendo a escola pública, onde estudei e trabalhei. Minhas filhas estudaram em escolas particulares por uma circunstância, mas não que eu seja a favor.

No campo familiar, Mundu que se disse devoto de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e Santa Teresinha não esqueceu de agradecer os pais, que não tinham formação, mas fizeram o possível pelos filhos.

Ao falar da casa da família Beserra, na 7 de Setembro, Centro de Elesbão Veloso, a qual, segundo ele faz lembrar muito seus pais, por isso, não há negócio algum para ela, ou seja, é descartada troca ou venda.

Sobre o sobrinho Rodolfo, o irmão Tunda e a sogra, recém-falecidos, o professor utilizou a bíblia para dizer que não perdeu, acha que eles se transferiram para outro plano, e acredita que todos estão bem porque praticaram o bem aqui na Terra.

Rubro-Negro já que torce para o Flamengo concluiu a entrevista dizendo que se considera uma pessoa emotiva, ao mesmo tempo feliz, sobretudo pelo o que a vida lhe proporcionou por meio dos estudos.

– Sou muito feliz com tudo que tenho, não tenho o que reclamar, e espero que esses jovens vejam um pouco sobre minha vida, levem as coisas a sério e conseguirá tudo de bom na vida.