DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português do Professo Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 30/07/2017

OBRIGADO PELA À PREFERÊNCIA
Frase exposta em um posto de combustíveis no centro de nossa cidade. Nessa frase bem curtinha o autor cometeu dois deslizes. 1º) O vocábulo “pela” é contração da antiga preposição “per” + o artigo “a”, assim: per + a (= pela), per  + o (= pelo). Dessa forma, o artigo já é rejeitado. O segundo deslize é a crase antes da palavra preferência.  Conclusão: A frase gramaticalmente correta é “Obrigado pela preferência”.

EXPECTADOR OU ESPECTADOR?
Convém não confundir esses dois vocábulos. ESPECTADOR é aquele que assiste a qualquer coisa (cena, espetáculo, ocorrência, etc.): espectador de filme, de jogo, de desfile. EXPECTADOR é aquele que tem esperança ou pretensão de alcançar alguma coisa. Ex: O brasileiro é um eterno expectador de melhores dias, é um eterno expectador de anos sem impostos escorchantes, é um eterno expectador de séculos sem corrupção, um eterno expectador de milênio sem violência. Afinal, vive só de expectativa de tudo que lhe possa proporcionar melhores dias de vida.

O CASAL LÚCIA E FLÁVIO COMEMORAM BODAS DE OURO NO PRÓXIMO MÊS
Um leitor da Coluna pergunta se a frase está correta. Caro leitor: Já que você usou o termo “casal” (coletivo partitivo), a concordância deve ser feita com o coletivo (casal). A frase fica assim: O casal Lúcia e Flávio comemora bodas de ouro  no próximo mês. Agora, se você usar Lúcia e Flávio (sujeito composto) o verbo será “comemoram”. A frase ficará assim: Lúcia e Flávio comemoram bodas de ouro no próximo mês. Parabéns para o casal, pois, nos dias de hoje é raro comemorar 25 anos de união conjugal.

VIEMOS AQUI, NESTA HORA, EXPRESSAR NOSSO AGRADECIMENTO
Neste caso, apresenta-se o uso indevido do verbo vir, interpretado de maneira errada. A expressão correta é: Vimos aqui, nesta hora, expressar nosso agradecimento. Observe que ninguém diz: Estivemos aqui, nesta hora,… Diz-se, porém, no tempo correto: Estamos aqui, nesta hora,… Se é “nesta hora” que o fato ocorre, então, o verbo deve estar no presente do indicativo.

MORTE E FALECIMENTO (QUAL A DIFERENÇA?)
MORTE serve para todos, indistintamente, velhos e moços. FALECIMENTO é próprio dos que já viveram o bastante, aos quais alguns chamam idosos; outros, senis. Mas a maior parte usa mesmo velhos (que não é um termo adequado). Só a morte pode ser violenta; o falecimento, ao contrário, exprime apenas um efeito natural. Por isso, ninguém “falece” num violento acidente de automóvel, assim como não há “falecimento” num assassinato. Há, em ambosos casos, morte.

A LOCUÇÃO “DE FORMAS QUE” É CORRETA?
Não. Não existe “de formas que”, nem “de maneiras que” e nem “de modos que”.  Use somente: de forma que, de maneira que, de modo que. Sempre no singular.

(*) Professor Antonio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.