Médica Amariles Borba fala a Eldorado FM, comenta doenças causadas por arbovírus e questiona a pouca procura da população por vacinas

Por: José Loiola Neto/Elesbão News

Entrevistamos neste sábado(1 de julho/2017) a atual diretora de vigilância em saúde de Teresina. A médica Amariles Sousa Borba esteve em Elesbão Veloso para felicitar sua irmã, a professora Zélia Borba, que acaba de completar 80 anos de vida. Entre outras coisas, ela contou que sua atuação no município de Teresina já acontece desde julho de 1975. Recorda Amariles Borba que a primeira atividade enquanto profissional da saúde foi trabalhar na campanha contra a meningite meningocócica.

- Nessa época a gente vivia uma epidemia muito grave, depois tive uma atuação no programa materno-infantil, onde permaneci por 22 anos, tentando melhorar a saúde da criança e da mulher. Em 1999, me aposentei, mesmo assim fui convidada para trabalhar na Prefeitura de Teresina, na área de vigilância em saúde, onde estou até hoje, falou.

Ao falar sobre vacinas, Drª Amariles questionou sobre a dificuldade para se cumprir metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, acrescentando que de modo geral, os pais não levam as crianças para cumprir o calendário nacional de imunização. Ela disse que não sabe o que passa na cabeça das pessoas. Por outro lado, conforme a médica, quando se trata da campanha de vacinação antirrábica, a realidade é oposta.

- Quando Teresina realiza a campanha para vacinar cães e gatos  em um só dia, a gente vacina 120 mil animais, e a gente não consegue em mais de 70 dias vacinar 52 mil crianças menores de 5 anos, sabendo que os dois, tanto o gato como o cachorro precisa que alguém leve-os para serem vacinados; eu ainda não consegui identificar o porque disso.

Drª Amariles Borba em entrevista a Eldorado FM. Foto: Pedro Soares(Pedro Rico)
A médica também chamou a atenção para a epidemia das arboviroses. No caso particular de Teresina, ela aponta que as chuvas na capital piauiense este ano foram bem atípicas se comparado a anos anteriores.

Ainda no último mês de junho foram registradas pelo menos três fortes chuvas. Ressalta Amariles que o mosquito Aedes Aegypti cresce em pequenas coleções de água, um recipiente com superfície dura como um copo, uma garrafa, uma tampa é o suficiente para o depósito dos ovos.

- Além do mosquito Aedes Aegypti temos o Aedes albopictus, sendo que ele tem algumas particularidades, pois se alimenta de qualquer sangue, não apenas sangue humano, portanto é bem mais perigoso do que o Aedes aegypti porque tendo mais chance de alimentação terá maior capacidade de reprodução, além disso, quando aumenta a população do Aedes albopictus o Aedes Aegypti vai embora, outro detalhe: esse mosquito gosta de crescer em oco de árvores, dai é preciso ter cuidado com esses locais, pois é ali que ele faz depósito de seus ovos.
Amariles Borba é diretora de vigilância em saúde de Teresina. Foto: Pedro Soares(Pedro Rico)
Ainda no tocante as arboviroses, a médica explicou que o momento atual requer bastante cuidado na medida em que os riscos aumentam, sobretudo por conta do trânsito da população.

- É preciso que cada um cuide da sua casa, cuide do seu local de trabalho, não criem mosquitos, não pode apenas uma vez ou outra, você tem de verificar toda semana de 7 em 7 dias, é preciso limpar o quintal, evitar água parada, e conversar no seu trabalho, na sua igreja, no seu clube; não podemos descansar, porque esse mosquito pode transmitir pelo menos 35 viroses, e elas estão chegando porque hoje a mobilidade das pessoas é muito grande, estou aqui hoje, amanhã, no mesmo horário posso estar em Tóquio, posso estar em Sidney na Austrália, fato é que quando você viaja, você carrega as bactérias, os vírus, dentro do avião, do navio, do ônibus, e esse vai e vem das pessoas está contribuindo para disseminação de doenças muito rápido.

Na entrevista que foi ao ar na Edição 777 do Painel Popular/FM Eldorado deste domingo(2 de julho), Amariles Borba conta que em princípio deixou Floriano, sua terra natal em 1959 rumando ao Rio de Janeiro, onde cursou o quarto ano ginasial, depois cursou o antigo científico(atual Ensino Médio), prestou vestibular para Nutrição, foi aprovada, depois também conseguiu logar êxito para o curso de Medicina, fez os dois cursos paralelamente, o 3º e 4º períodos de Nutrição, junto ao 1º e 2º de Medicina.

- Depois fiz dois anos de residência no Hospital do Servidor do Estado do Rio de Janeiro, retornei à Floriano, onde trabalhei por dois anos e meio, depois disso, o Governo do Estado pediu para que eu fosse para Teresina, lá também trabalho na universidade, onde estou até hoje.

Perguntada se é satisfeita pelo que faz, Drª Amariles diz que sim, pois sua intenção, quando escolheu a medicina foi trabalhar pelo povo do Piauí, dai entende que vem cumprindo o desejo e o objetivo que se propôs a fazer dentro do seu projeto de vida.

A médica comenta que sempre teve aptidão pelos estudos, prova disso é que há mais de 15 anos se mantém como assinante do jornal Folha de S.Paulo, além disso, gosta de ler e estudar através dos livros ao invés de apostilas.

- O conteúdo dos livros é maior, a abrangência do conhecimento é maior, e as vezes, as apostilas tem conceitos errados.

Amariles Borba encerra deixando uma mensagem para os jovens estudantes.

- Primeiro lute pelo seu desejo e por aquilo que você quer fazer, lute e salte todas as cercas porque só a gente tendo o prazer na profissão que você quer e deseja se sentirá feliz, e a felicidade contribui muito para sua saúde. Nos dias de hoje existe a facilidade da internet, tudo está debaixo dos dez dedos, se bem que a internet ajuda se você souber procurar.
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