PAPO DE BOLA: Morando em Brasília há 48 anos, Moisés Lima Verde, o “Có” relembra o futebol em Elesbão Veloso na década 1960.

Por: José Loiola Neto/Esporte Local

Circulou por Elesbão Veloso muito recentemente, o aposentado Moisés Lima Verde, o Có, 74 anos(14/06/1943), destaque do futebol elesbonense na década de 1960, tendo atuado como zagueiro em algumas das equipes amadoras e seleção local.

Morando em Brasília desde 1969, no momento encontra-se aposentado como motorista de ônibus, atividade que exerceu em pelo menos três empresas da capital federal, depois de ter sido borracheiro.

Nessa entrevista ao Papo de Bola do Painel Popular, Có(apelido em alusão ao avô Kincó), um dos 10 filhos do casal Antonio Pereira de Brito(sapateiro)e Maria Sinhá Lima Verde, Có lembra que ajudou os pais na roça e serviu ao Exército. Confira os trechos principais da entrevista:

Moisés Lima Verde, o Có fala ao quadro Papo de Bola, do Painel Popular

VIDA EM ELESBÃO E ORIGENS FAMILIARES
– Meu pai era Antonio Pereira de Brito, era sapateiro, minha mãe Maria Sinhá Lima Verde, dez irmãos, eu sou o caçula; trabalhava na roça com meus pais; era responsável pelas vacas em uma propriedade no Baixão do Moisés Lima Verde. Meu pai também tinha uma propriedade atrás do cemitério, quando sai daqui para Brasília ficou com ele, depois disso ele faleceu e meus irmãos passaram para frente. Para mim, viver em Elesbão Veloso foi maravilhoso, vivi muita coisa boa aqui.

PASSAGEM PELO EXÉRCITO
– Servi o Exército por intermédio do meu irmão, o Zequinha que trabalhava em Teresina, falei pra ele que queria servir ao Exército, então ele fez a inscrição, eu não passei porque meu peso e altura não combinava, mas eu pedi ao tenente e felizmente ele deixou eu servir, graças a Deus fui um bom soldado. Fiquei lá por pouco mais de dois anos, gostei, foi uma experiência muito válida, se fosse para servir novamente eu iria.

A PARTIDA PARA BRASÍLIA
– Eu trabalhava com meu irmão Zequinha, eu era vaqueiro e estava muito puxado para mim, dai pedi a ele para ir embora para Brasília, que naquela época estava muito melhor que São Paulo, de modo que fui para Brasília e estou lá até hoje, moro no Samambaia Sul

OS PRIMEIROS MESES EM BRASÍLIA
– Trabalhei de tudo que você imaginar, por final terminei como motorista de ônibus coletivo, me aposentei como motorista de ônibus, o começo foi muito ruim porque lá fazia muito frio, era 8 a 10 graus , sai daqui no calorzão para me adaptar, sofri um pouco.

Có está em Brasília desde 1969

IDAS E VINDAS
– A primeira vez passei 14 anos sem vir aqui, depois disso, fiquei ‘pingando’ e vindo a Elesbão a cada 2 ou 3 anos, da última vez, estava com 7 anos que não fazia uma visita a meus familiares.

A REALIDADE DE BRASÍLIA
– Sinceramente. Não ofendendo os brasiliense, mas lá já foi bom, hoje, com esses governos, não aconselho ninguém a ir morar lá não; lá mudou para pior, não quero com isso, repito, ofender aos milhões de brasilienses. O administrador anterior que entregou para o sucessor este ano deixando um “buraco enorme”, os hospitais todos estourados e sucateados, os maquinários quebrados, muitas dívidas, lá está uma tristeza só. Uma vergonha, não deveria ser assim, por ser capital do Brasil deveria servir de exemplo. Estou lá a todo esse tempo e nunca vi nenhum deputado, senador ou ministro na rua, você dificilmente ver o governador. Existem falhas na administração, em maio passado, os guardas distritais entraram em greve, lá fecharam-se hospitais, bancos, colégios porque a empresa queria receber o 13º e um reajuste que não saíram, dai eles entraram em greve. Essa situação durou quase um mês.

DE BORRACHEIRO A MOTORISTA
– Entrei numa empresa de ônibus  inicialmente como borracheiro, lá arrumava os ônibus, tirava da garagem e colocava no estacionamento, nesse percurso aprendi a dirigir, depois disso, fui contratado como motorista, lá tirei minha carteira, em seguida comecei a trabalhar. Ao todo, trabalhei em quatro empresas, trabalhei três vezes na Pioneira, três na Alvorada, duas na Vipam, um ano na TCB do governo.

TRÂNSITO EM BRASÍLIA
– Naquele tempo, assim que cheguei lá era uma maravilha. Hoje é um caos. Durante a manhã e noite chega a se registrar 30km de engarrafamento, e não tem mais dia espercífico da semana, é todo dia, de segunda a segunda.

Có é irmão dos elesbonenses Fanca Lima Verde, Paulo e Do Ó Pereira

GRANDE PROLE: 18 FILHOS
– É o motivo de eu ainda morar em Brasília são meus filhos, porque eles me amam e eu não posso deixar eles lá não. Os filhos são frutos de relacionamentos com quatro mulheres. Estou aqui em Elesbão há 20 dias, mas eles me ligam toda hora. Nenhum dos meus filhos vieram aqui, pra ser verdadeiro veio a caçula da minha esposa atual, mas ela tinha apenas 3 anos, foi quando minha mãe faleceu, viemos acompanhar o sepultamento da minha mãe.

ELESBÃO NO CORAÇÃO
– Peço a Deus todos os dias para vir morrer aqui. Gosto de Elesbão Veloso. A cidade mudou bastante, o Gonzaga Moura um amigo que tenho aqui, saímos no carro dele, demos uma volta pela cidade, percebi que mudou bastante, cresceu muito, ficou uma maravilha.

VIDA NO FUTEBOL EM ELESBÃO
– Era uma maravilha. Tinhamos uma união forte. Não havia preconceito, não haviam brigas.

JOGADORES, TIMES…
– No time que eu jogava tinha também o Gonzaga, Anacleto, o Luis Pedro, o Chico do Bianor, o Cajaiba…

CAMPO DE FUTEBOL
– Não havia ainda o Nogueirão. o campo ficava na Pedra Preta, era um campo bom, planinho, bem conservada, ali a gente recebia times de fora, jogávamos fora também, em Francinópolis, Água Branca, Valença, Barro Duro. A gente viajava num pau de arara.

ZÉ MELÃO COMO TREINADOR
– Ele morava aqui. Era genro do seu Luis Lopes, o Zé Melão já faleceu…

ZAGUEIRÃO
– Jogava na zaga. Fazia dupla com o Luis Pedro.

SEM CONTATO COM AMIGOS
– Infelizmente não tenho contato com os amigos de bola à época. Boa parte deles já faleceram, alguns deles ainda moram aqui, mas não mantenho contato. Tenho saudades, porque a convivência era boa, uma coisa sadia, sem preconceito, não tinha briga, só amizade sincera. Era muito divertido, uma maravilha.

APOSENTADORIA, MAS NA ATIVA
– Tenho ainda meu carrinho lá em Brasília, faço meus fretinhos, só para me distrair mesmo. Faço bicos para tomar minha cervejinha.

SAÚDE BOA E PONDERAÇÕES QUANTO A BEBIDA E FUMO
– Graças a Deus me sinto bem. Gosto do meu cigarrinho, de uma cervejinha. Quanto ao fumo, vejo tanta gente que já morreu primeiro do que eu, deles mais jovens que não fumou, nem bebeu, então o ser humano trabalha do nascimento até a velhice, depois de velho é só para tomar remédio e deitar na cama, não!. Comecei a fumar a partir dos 8 anos.

SAUDOSA LEMBRANÇA DO PAI
– Meu pai me apoiava em tudo, inclusive no futebol, até porque eu o ajudava bastante em tudo.

ABRAÇOS AO POVO DE ELESBÃO
– Desejo tudo de bom a quem eu conheço a quem não conheço também, aos que vão ouvir essa entrevista.