DE OLHO NA LÍNGUA: Dicas de português com o professor Antonio da Costa, de Sobral-CE. Material deste sábado, 9/9/2017

Reivindicar (Pronúncia)
Trata-se de verbo regular que deve ser conjugado como “ficar”. O Presente do Indicativo assim se conjuga: Reivindico, reivindicas, reivindica, reivindicamos, reivindicais e reivindicam. Atenção para a grafia e para a pronúncia desse verbo: reivindicar, reivindicam e não: reinvindicar, reinvindicamos (acrescentando a letra “n”: re-in-vin-car).

Sonhar um sonho
Não há erro algum em construção em que o objeto possui o mesmo radical do verbo que ele complementa, desde que o núcleo do objeto esteja especificado por um adjetivo, a fim de evitar um pleonasmo. Nesses casos, o objeto direto recebe o nome de objeto direto interno ou intrínseco. Exs.: Viver uma vida de rei; Hoje sonhei um sonho estranho.

Sua irmã / Irmã dela
Em muitos casos, a utilização do possessivo de terceira pessoa (seu e suas flexões) pode deixar a frase ambígua, isto é, podemos ter dúvidas quanto ao possuidor. Ex.: Pedro saiu com sua irmã (irmã de quem? De Pedro ou do interlocutor?).
Para evitar essa ambigüidade, deve-se substituir o possessivo pelas formas “dele” (e flexões): Pedro saiu com a irmã dele. Nesse caso, não temos dúvida alguma, pois está claro que se trata da irmã dele.

Antes de / Antes que
“Antes de” é locução prepositiva e deve ser usada antes de palavra ou orações reduzidas: Antes de mais nada, devo dizer que não concordo; Abasteceu o carro antes de viajar.
“Antes que” é locução conjuntiva e deve ser usada antes de orações desenvolvidas: Saia antes que chova;

EM TEMPO: A expressão “antes de mais nada” é o tipo de expressão que nem Freud explica. Devemos substituí-la por: inicialmente, primeiramente. Ex.: Inicialmente gostaria de dizer que…; Primeiramente gostaria de dizer que…

Repetir de ano
Embora ouvida com muita freqüência, essa construção deve ser considerada errada, pois, nesse caso, o verbo “repetir” é transitivo direto; exige, pois, complemento sem preposição (quem repete, repete alguma coisa). Portanto, deve-se dizer: “repetir o ano”.
Evite as expressões “repetir de novo”, “repetir outra vez”, “torno a repetir”, “volto a repetir”, porque são expressões pleonásticas.       

República checa
Os adjetivos relativos à República Checa (e não: Tcheca) são checo e checa (e não: tcheco e tcheca).

Roubaram minha carteira
Quando alguém fala “Roubaram minha carteira”, a nossa primeira reação é perguntar: “Quem roubou?”. Pergunta inútil, pois a construção gramatical do falante já nos indica que não pode (ou não quer) indicar o ladrão. Trata-se de um caso típico de sujeito indeterminado. Observe a oração: Verbo na terceira pessoa do plural e o sujeito não está expresso nem pode ser determinado pelo contexto. Pergunto: Qual a diferença entre roubar e furtar?

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9762-2542.