PAPO COM IDOSOS: Domingos Gil, 86 anos, mais de 40 de vivência e atuação junto ao Cabaré de Elesbão Veloso.

 Por: José Loiola Neto/Destaques de Elesbão

O Papo com Idosos, quadro do Painel Popular/FM Eldorado do último dia 27 de agosto Edição 785 aguçou a intimidade daquele que tem relação estreitada com um local não tão bem visto pela sociedade, dada sua promiscuidade– o Cabaré, também conhecido e “batizado” por outros como Ferro Velho, Bagaço, Quebra, Beréu e até Shopping de Elesbão Veloso.

Não importa o termo ou nomenclatura, é ali onde está desde os seus 40 anos, o senhor Domingos Bispo de Maria ou simplesmente Domingos Gil, atualmente com 86 anos(22/03/1931) bem vividos, cheio de fatos, muitos deles pitoresco e hilário daquele espaço que resiste ao tempo, muito embora não faça o mesmo sucesso de antigamente.

Domingos Gil

Nascido na localidade Valdemar (próximo ao Sabonete), Domingos Gil é o filho caçula do casal Gil Bispo de Maria e Joana Augusta de Sousa que constituiu uma prole de sete filhos.

Na entrevista ele contou que a saúde não é das melhores, principalmente por conta de dores na coluna, e a visão que já não mais a mesma da época em que era jovem. Foi casado com Marisa Josefa Cruz, falecida em 1965, com ela teve sete filhos. Por algum tempo já se ausentou de Elesbão Veloso; morou no Maranhão, trabalhando como lavrador, mesma atividade exercida por muitos ano em Elesbão.

O ramo de cabaré, recorda seu Domingos Gil começou quando ele tinha 40 anos. No começo foi muito bom, mas atualmente está fraco, segundo ele.

– O dinheiro foi sumindo, o pessoal também, é crise. Isso antes era animado tinha as meninas de fora. Teve uma época que cheguei a trabalhar com 10 mulheres, eram mulheres bonitas, novas. Hoje é cobrado R$ 10,00 ou 15,00 numa chave para quarto, mas não é mais atração como antes. O movimento de cabaré recuou demais.

Seu Domingo conta que nem ele mesmo sabe explicar como entrou nesse ramo, digamos “cabarezeiro”, porque antes havia sido comerciante, e de repente estava num mundo diferente. Na área do Cabaré de Elesbão Veloso situado entre as ruas do Pici e Coroatá, ele possui pelo menos 4 estabelecimentos– pontos que servem como bar e quartos para encontros.

– Não estão a venda, acho que por hora não há ninguém interessado em comprar. E eu não quero vender porque tenho filhos que não aceitam eu fazer negócios.

Quanto a uma nova companheira, depois que a esposa faleceu, até que surgiram pelo menos duas ou três companheiras, mas o negócio não evoluiu. Uma delas, é da localidade Retiro, interior de Elesbão Veloso e a outra em Barra do Corda-MA.

– Essa do Maranhão chegamos a morar juntos por 4 anos e 9 meses, depois nos desentendemos e separamos.

No contexto geral, Domingos Gil diz ter felicidade plena mesmo estando no cabaré, local que já teve os tempo de grandes festas, muitas promovidas pelo senhor Jerumenha, a rigor todas as sextas-feiras.
Ele não faz projeção de vida, mas diz que gostaria de viver conforme a vontade de Deus.

– Eu não quero me invocar porque se invocar é pior, mas um dia passou um cara lá em casa, pegou na minha mão e disse que minha vida era do tamanho da do meu pai, que morreu com 89 anos. Mas eu quero viver mais.

Quanto aos vícios, Seu Domingos disse que tinha profundo gostar pelo cigarro, mas largou o vício há mais de 20 anos.

– Bebi muita cachaça, mas hoje tomo apenas uma dose de leve, O cigarro eu larguei e não tenho saudade, pois estava me prejudicando, eu tossia bastante.

As muitas noites de sono perdidas não terão como recuperar, reconhece o idoso, lembrando que muitas vezes chegou a ir dormir às 5h da manhã, com muito cansaço no corpo.

Empreendedor, garante que já chegou a possuir pelo menos 50 imóveis entre terrenos e casas, também já teve propriedades rurais, e ainda possui algumas hectares na localidade Valdemar, onde nasceu.

No cabaré se faz amizade, segundo Domingos Gil. É um local onde andam pessoas boas e ruins. O fato de ter começado cedo a viver no cabaré foi um aprendizado, e o local não bem visto pela maioria, muito lhe agrada. Apesar de já terem até lhe furtado

– Aqui já me roubaram R$ 2 mil certa vez, retiraram do bolso da calça, eu dormi, arrebentaram a porta e levaram o dinheiro, jogaram a calça no mato e me deixaram sem nenhum centavo no bolso, mas é isso mesmo…