Professora elesbonense Maria Perpétua Beserra, filha do Seu Santin do Lilás obtém nota 10 e conclui doutorado pela PUC-SP

Por: José Loiola Neto/Destaques de Elesbão

Maria Perpetua Socorro Beserra Soares, uma das filhas do senhor Melquiades Bezerra, o “Santin do Lilás”(centenário em Elesbão Veloso; tem 101 anos), professora de Filosofia da Universidade Federal do Piauí-UFPI em Parnaíba, concluiu no último dia 4 de agosto em São Paulo doutorado em Educação Currículo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo- PUC-SP, obtendo nota 10. Entrevistada pelo Painel Popular FM Eldorado/Elesbão News, Maria Perpetua disse que a conquista é muito importante, na medida em que deixou Elesbão Veloso rumo a Teresina com apenas sete anos em busca de um sonho.

Ressalta que não chegou a estudar em Elesbão Veloso, contudo, sempre estudou em escola pública, salvo apenas o terceiro ano do ensino médio, estudou no antigo Cursão, de propriedade do senhor João Bezerra, um de seus parentes.

Professora Maria Perpetua Socorro concluiu Doutorado pela PUC-SP

A professora Perpetua destaca que a primeira vez que fez o vestibular para o curso de Filosofia foi aprovada, depois disso, fez especialização em História da Filosofia Contemporânea.

Em 1997 fez Letras Português, entre 2000 e 2002 fez mestrado em Educação pela Universidade Federal do Piauí, e entre 2013 a 2017 fez doutorado, no último dia 4 de agosto concluiu sua tese intitulada “Formação Continuada de Professores dos Anos Iniciais. Contribuições para Construção de Uma Escola Democrática Inspirada em Paulo Freire”. Perguntada sobre a escolha do tema a ser defendido na tese, professora Perpetua justifica.

– Eu comecei minha carreira docente na antiga escola normal em Teresina e sempre tive desenvolvendo um trabalho com professores. Eu trabalho no curso de pedagogia da UFPI em Parnaíba e sempre tive aquelas inquietações, querendo descobrir, pesquisar com mais profundidade com se dava a formação de professores, então resolvi fazer este curso em São Paulo para ter novos desafios, conhecer novas realidades.

A professora Perpétua lembra que sua pesquisa foi realizada ente agosto e novembro de 2015 na periferia de São Paulo no Bairro Jaraguá, próximo a Serra da Cantareira numa escola dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O trabalho incluiu entrevista com professores, diretor, coordenadoras pedagógicas, forram feitas análises de documentos, dentre eles o Projeto Político Pedagógico- PPP da escola, bem como o Projeto Especial de Ação, além de observação da prática pedagógica dos professores em sala de aula, reunião de pais e mestres e pedagógicas.

Professora de Filosofia Maria Perpétua é uma das filhas do Seu Santin do Lilás.

Ao comentar o seu trabalho de pesquisa, a professora lembra que foi um trabalho árduo, prova disto era o despertar logo nas primeiras horas da manhã. A permanência na escola seria estendida, já que o foco era acompanhar a formação dos professores, algo que acontecia internamente mesmo depois da jornada em sala de aula.

– Eu acordava todos os dias às 5h20, pegava um metrô, um trem e uma van para chegar na escola, depois eu descobri que ao lado da minha residência, no condomínio onde eu morava passava uma linha de ônibus próximo a escola, dai comecei a pegar esse ônibus e chegava às 6h10 junto com a pessoa que fazia o café, a partir dai ficava assistindo aula da professora de 7h da manhã ao meio-dia; almoçava na escola, depois ia assistir a formação dos professores que acontece no âmbito da escola e era isso que eu queria pesquisar, uma formação de professores que acontecesse na própria escola.

A professora/doutora Perpetua considera válida e rica a experiência da conclusão do curso pela PUC, uma universidade com histórico de atuação há 76 anos. Além disso, serviu para perceber a realidade da escola pública em São Paulo

– Foi importante porque eu conhecia as escolas públicas em Parnaíba, não conhecia em São Paulo. Devo dizer que essa escola municipal apesar dos problemas e de ser uma escola de periferia que eu detectei é que tem mais infraestrutura que as escolas de Parnaíba; os professores são empenhados, acreditam na escola.

Com relação aos alunos meu trabalho foi voltado para a faixa-etária de seis a sete anos, ele demonstram interesse, participam, tem projetos, um deles, o Ao Pé do Fogão, que visa resgatar as tradições antigas, com o hábito de tomar café na chaleira etc.

Perguntada sobre o que a instigou aos estudos, nossa entrevistada explicou que o seu pai– Seu Melquiades Bezerra, o Santin do Lilás é agro pecuarista e sua maior vontade era ter se formado em Direito, não conseguiu até por conta das dificuldades impostas à época, mas disse que faria o possível para que seus filhos tivessem curso superior.

– No final da década de 1960 para 1970 ele foi para Teresina com os filhos, e ele sempre dizia ser pobre, mas deixava claro que a Educação era a base de uma sociedade, e eu cresci vendo meus irmãos e irmãs sempre lendo livros, e foi isso que me instigou  a buscar novos desafios numa cidade diferente para conhecer a realidade.

Em matéria de formação, professora Perpetua recorda que sua família queria que ela fizesse Serviço Social, mas sua vontade era cursar Filosofia, na sua concepção uma disciplina um tanto complexa.

– Uma disciplina que estuda os porquês, os fundamentos,porque estamos aqui, o papel do homem na sociedade, do aluno. A Filosofia é um questionamento acerca da vida, do mundo e da sociedade como um todo.