| Menino Francisco de Assis: morte aos 9 anos |
OS PRIMEIROS SINTOMAS
"Ele acordou na
terça-feira pela manhã cedo com uma irritação no olho, aí levei ele no
hospital, o doutor passou uma injeção para ele e um colírio para colocar no
olho, a febre não passava, começou a ter crises de vômitos e muita dor de
cabeça que ele tava sentindo;na quarta-feira pela manhã, levei ele novamente
com febre, dor de cabeça e o pescoço dele já estava torto; cheguei lá no
hospital, não tinha médico, a enfermeira Tutuz colocou ele lá num quartinho e
botou um soro nele.
| Jarlene Pereira fez críticas aos órgãos de saúde: em Teresina, nenhum médico me atendeu |
DRAMA
Daí ele começou a se
bater, se batendo, se batendo em cima da cama, ele não chorava, ficava com o
olho aberto, não conseguia fechar mais o olho, só falou um vez e pediu água.
Então disse: Tutuz, meu filho vai morrer! e ela- não se acalma, seu filho não vai
morrer!. Ela então disse que chamaria uma ambulância para levar o menino para
Valença, ajeitaram tudo e levaram ele pra Valença.
MAIS DRAMA EM VALENÇA
“Chegando lá tive que
pegar o meu filho no colo, porque ninguém queria pegar o meu filho no colo, fui
eu quem retirou ele do carro, botei ele na cama, estavam rejeitando o meu
filho, ninguém queria pegar no menino por causa da doença dele, depois me
isolaram dentro de um quarto com a criança, aplicaram nele duas injeções,
depois ele teve duas paradas cardíacas, lá em Valença, aí eles viram que não
iam dá jeito, transferiram ele para Teresina, no caminho de Teresina, na Estaca
Zero ele faleceu”
IDA A ÁGUA BRANCA
“Lá mesmo da Estaca
Zero voltamos, fomos para Água Branca, lá uma enfermeira perguntou se eu
autorizava fazer um exame nele mesmo depois de morto, eu disse que autorizava,
ela fez o exame e foi constatado que ele estava com meningite”
| Jarlene confirmou que filho faleceu vitimado por meningite |
DESESPERO
“Pra mim foi muito
desespero, eu quem caminho com ele o tempo todinho, sozinha com ele, vendo meu
filho se acabar daquela forma, eu nunca imaginava que o meu filho ia se acabar
daquele jeito, meu filho era tudo pra mim, era o xodó da casa, ele estava
estudando, fazendo a 4ª série”
DOENÇA REPENTINA
“Foi muito rápido,
rápido demais, segunda-feira ele acordou bem, de terça para quarta já desandou
tudo, aí não teve jeito”
CRÍTICAS AOS SETORES DE SAÚDE
“Se eu te falar, tú
não vai acreditar, cheguei em Valença o médico não entrou nem dentro do quarto
onde o menino estava, era só as enfermeiras, fizeram um papel e me encaminharam
para Teresina, justo que eu nem cheguei a Teresina porque ele faleceu voltamos
aqui para Elesbão Veloso, quando chegamos aqui à noite, tinha médico, mas eu
não vi nem a cara do médico, ele não foi nem lá pra conversar comigo, nem com
os meus parentes que estavam lá, escreveu lá num papel fomos novamente para
Teresina, chegamos lá, nenhum médico me atendeu, não quiseram nem colocar a
criança no necrotério, a criança ficou lá exposta à chuva, nós lá fora...”
MENINO FOI CHAMADO DE MERDA
“Chegou o vigia lá do
hospital disse que não podia colocar a criança lá dentro porque não tinha
nenhuma autorização do médico, ficamos lá aí com muito trabalho foi que um
telefonema vindo de Elesbão Veloso para Teresina foi que conseguimos colocar o
menino no necrotério; na hora de vestir a criança eles não queriam vestir a
criança porque disseram que o menino estava com doença contagiosa e ainda
chamaram meu filho de merda- ‘joga esse merda no mato’.
| Jarlene ao Painel: chamaram o meu filho merda |
DESABAFO
“O meu filho era um
ser humano, ele não era nem um bicho para tratarem meu filho desse jeito só por
causa dessa doença; qualquer pessoa podia pegar; fiquei muito chateada com toda
essa situação, eu foi quem vestiu ele, eu e minha irmã porque se eu não tivesse
vestido ele ninguém tinha pego ele, para pegar ele e colocar ele no caixão foi
obrigado o pai dele e o motorista porque eles disseram que não iam pegar porque
era um doença muito contagiosa”
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