DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português do Professor Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 8/10/2017

domingo, 8 de outubro de 2017

DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português do Professor Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 8/10/2017



São Francisco ajuda “até os pagãos” ou “até aos pagãos”?

Tanto faz. Tanto faz mesmo. Na língua padrão, registra-se o uso do verbo “ajudar” como transitivo direto ou transitivo indireto. Quem não conhece o ditado popular: “Quem ajuda os pobres empresta a Deus (Ou: Quem dá...)”? Ou: Quem ajuda aos pobres empresta a Deus (Ou: Quem dá aos pobres...)? Em  consequência disso, registra-se o uso dos pronomes “o” (Quem os ajuda empresta a Deus) e “lhe” (Quem lhes ajuda empresta a Deus) como complemento do verbo ajudar.


Os meus óculos - O óculo

Essa palavra só existe no plural, porque cada uma das lentes é um óculo. Como essa armação supõe dois óculos (um à esquerda, outro à direita), então o conjunto só pode ser chamado de “os óculos”. Quem diz “o meu óculos” também deveria dizer, por exemplo, “a minha luvas”. No Brasil, é comum as pessoas dizerem erroneamente o óculos, este óculos, etc. Grave: O óculo (singular) é uma luneta.


Horário de Brasília (Existe isso?)

Não, não existe. Mas há muita gente por aí que pensa o contrário, principalmente se trabalha em rádio, jornal e televisão. Os radialistas, repórteres e apresentadores de telejornal só dizem assim: “Agora são 10 horas pelo ‘horário’ de Brasília”. O correto, no entanto, é um pouquinho diferente: “Agora são 10 horas pela hora (oficial) de Brasília”. Pode-se até não usar “oficial”, mas deve-se usar hora, em vez de horário. Eles também só dizem e escrevem “horário” local, “horário” de verão, quando o que existe é apenas a “hora” local e a “hora” (brasileira) de verão. LEMBRETE: O Horário de Verão 2013/2014 começará no dia 20 de outubro, mas o Ceará está fora.


Reverter o quadro

A frase em epígrafe está na moda. Médicos, economistas, tecnocratas de todas as áreas e principalmente cronistas esportivos estão a inventar uma língua própria: A asinina. Entre tantas asnices que se notam em linguagem desses profissionais, salienta-se o emprego do verbo “reverter” por “inverter”: É preciso reverter o quadro da economia brasileira (Em vez de: É preciso inverter o quadro da economia brasileira); O prefeito não soube reverter o escândalo a seu favor (Em vez de: O prefeito não soube inverter...); A reversão desse quadro é difícil (Em vez de: A inversão desse quadro é difícil).


Circuito / gratuito / fluido

Pronunciam-se com acento no “u” do ditongo: Circúito, gratúito, flúido (o substantivo). É verdade que apresentadores e repórteres de televisão continuam dizendo “circuíto”, “gratuíto” e “fluído”, mas creia: são apenas os despreparados. Sugiro a esses apresentadores e repórteres que sejam coerentes, pronunciem também: descuído, fortuíto, intuíto e outras.


(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos: (088) 9655-1801.

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