DE OLHO NA LÍNGUA: dicas de português com o professor Antonio da Costa, de Sobral-CE. Material de sábado, 28/10

sábado, 28 de outubro de 2017

DE OLHO NA LÍNGUA: dicas de português com o professor Antonio da Costa, de Sobral-CE. Material de sábado, 28/10



A distância x À distância
Muitos gramáticos, sem levar em conta o uso bastante generalizado, querem que a locução “à distância”, quando indeterminada, se escreva sem acento; este só caberia, a seu ver, quando a locução viesse determinada: “À distância de um metro” ou, como escreveu Machado de Assis: “À distância de um fio de cambraia” (Brás Cubas, Cap. CLII).

Não tem fundamento essa distinção: esquecem esses gramáticos que “à distância” equivale a “na distância” (onde aparecem preposição e artigo).

O grande Roberto Carlos, em sua bela canção “A Cigana”, diz esses versos: Na distância vi seu vulto desaparecer/Nunca mais seu rosto eu pude ver..., lembrem-se.

Veja esses exemplos: “Um relógio, na distância, bateu dez horas (Afonso Schmidt - Aventuras de Indalecio - São Paulo, Clube do Livro, 1951, p. 141); “Uma torre branca e aguda apontou na distância, furando o céu” (Id. Bom Tempo - São Paulo, Clube do Livro, 1956, p. 73).

Vejam-se alguns exemplos, em bons escritores, de “à distância”: De Rui Barbosa - “Destes cimos,... o Colégio Anchieta nos estende a distância os braços” (Discurso no Colégio Anchieta - Rio, 1953, p. 7): “Achava-se ali, a distancia, um amigo, que me aguardava (Queda do Império - Vol. I, Rio, 1921, p. LXX). (Adriano da Gama Kury - Ortografia, Pontuação e Crase).

Em tempo
Apesar da autoridade de Adriano da Gama Kury, a respeito da expressão “a distância/à distância”, é bom seguir a opinião da maioria dos gramáticos; em exames de vestibulares e concursos públicos devemos crasear a expressão, quando estiver determinada. Assim: Vi o desastre a distância; Vi o desastre à distância de dez metros. Não sabemos o critério que os examinadores vão adotar. Portanto, sigamos a opinião da maioria dos gramáticos para estarmos mais seguros.

Vamos esclarecer o problema “de frente”

A leitora da Coluna, Ana Maria, pergunta se a expressão epigrafada é pleonástica. Caríssima Ana: A expressão é pleonástica, porque só podemos encara de frente. Você já viu alguém de costas, de lado. Diga somente: Vamos encara o problema.

Missa de Sétimo Dia

Apesar de ser assim anunciada, a expressão castiça é: Missa do sétimo dia. Quando o substantivo é determinado, usa-se o artigo obrigatoriamente. Ademais, antes de numeral ordinal não se deixa de empregar o artigo. Exs.: Comi o segundo bife; Estamos no sétimo andar; Procure ler o quarto capítulo. Por isso é que temos de usar o artigo, ainda nessas expressões: Comemorações do primeiro aniversário; Missa do trigésimo dia; Supletivo do Primeiro e do Segundo Graus (Grau), além de outras. Pois, então, não se diz “missa do primeiro aniversário, missa do sétimo aniversário?’’ Por que, então, dizer “missa de sétimo dia?”Deixemos, contudo, esses acontecimentos do sétimo dia e passemos a outro, menos triste.

Vai para
O verbo IR, nas expressões de tempo, é impessoal: Vai para dez anos que o presidente renunciou. Da mesma forma “vai por” ou “vai em”.

(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos:  (088) 99762-2542.

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