Historiador Lindomar Fernando comenta atual cenário do negro no Brasil e assegura que preconceito é notório: "somos minoria no sentido de participação".

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Historiador Lindomar Fernando comenta atual cenário do negro no Brasil e assegura que preconceito é notório: "somos minoria no sentido de participação".



Professor Lindomar Fernando em entrevista ao radialista José Neto
Por José Loiola Neto/Destaques de Elesbão

Um dos professores mais gabaritados em Elesbão Veloso, especialmente na sua área-- História, Lindomar Fernando  falou ao Elesbão News e discorreu sobre pontos importantes com relação o tratamento dispensado as pessoas afrodescendentes nos dias atuais, não apenas no Brasil, mas de maneira global.

A entrevista em princípio girou em torno do Dia da Consciência Negra, em parte, comemorado no Brasil, já que apenas alguns estados e cidades adotam feriado para viverem o dia dedicado a Zumbi dos Palmares.
Para Lindomar, o Dia da Consciência Negra é uma data bastante importante para a nossa história, na medida em que a própria estatística revela que 50% da população brasileira é negra, são afrodescendentes. Ou seja, são pessoas que embora não sejam genuinamente negra, mas possuem genótipo e fenótipo negro.

- Ela tem no seu sangue traços negróides, o que faz com que a nossa população seja o primeiro país mais negro fora da África. Mas infelizmente a população não dá importância a esse fato. E olha que nem estou tocando na questão do racismo velado, racismo institucional, eu falo da importância digamos assim no plano econômico e desenvolvimento enquanto nação e sociedade.

Professor efetivo nas redes pública estadual e municipal, no momento estando a serviço apenas da segunda, Lindomar divergiu com relação a verdadeira data em que poderia ser lembrada como referência para as pessoas negras.

- Estava eu outro dia fazendo uma reflexão com relação a estas datas: 20/11 e 13/5. Porque a gente sabe que foram trocadas essas datas. Antes se comemorava o 13 de maio porque era a data de libertação dos escravos, devido a assinatura da Lei Áurea. Depois, os movimentos negros trouxeram essas comemorações para o dia 20 de novembro em homenagem a Zumbi dos Palmares. Claro que é justo, no entanto em termos de cronograma escolar não é muito bom porque 20 de novembro já está na reta final do ano letivo.

Sobre o 20 de Novembro-- Dia da Consciência Negra, professor Lindomar defende que a data poderia ser lembrada não como uma Efeméride, poderia ser prioridade e lembrada todo o ano.

- Eu não concordo com essas datas efemérides porque o respeito ao pai e um mãe tem que ser todo dia, o amor ao pais. O 20 de novembro é tratado como uma Efemérides, só naquele dia, é feriado mas não é no país todo, não tinha que ser assim, tinha que ser lembrado o ano inteiro porque é algo muito sério em nosso país.

Perguntado se observa no país algum avanço, no tocante o respeito aos direitos voltados às pessoas negras, professor Lindomar Fernando foi enfático em dizer que houveram algumas transformações, mas ainda falta muito.

- Ontem mesmo assistindo a uma entrevista com uma autoridade do movimento negro e ela dizia que devido ao impeachment(da presidente Dilma) o que se vê nas políticas públicas é que houve um retrocesso. Então hoje falar no avanço do negro é falar em relação as ações afirmativas, é falar em políticas públicas.

Para o historiador o atual processo, considerando o contexto atual que o país está inserido é um retrocesso, além do que analisando os acontecimentos dos últimos tempos para cá houve um certo avanço, mas a sociedade não deu ainda a devida importância a temática.

No tocante as políticas públicas, Lindomar disse que não apenas defende, mas reforça que estar são absolutamente necessárias, haja vista que se o Brasil quiser ter algum projeto de desenvolvimento, uma das questões a serem tratadas são as políticas integre o Negro na sociedade, incluindo todas as áreas e setores.

- Porque o que se percebe é que a gente continua sendo minoria não no sentido de quantidade, somos minoria no sentido de participação, no sentido de poder. Nós continuamos ainda sendo sub-representados, o que significa dizer que nós temos em todas as áreas-- saúde, educação, em termo de quantidade, somos inferiores.

Para Lindomar,  a partir do instante em que os negros estão sendo sub-representados, o grupo continua sendo marginalizado. A falta de inclusão é perceptível, e para isso aponta o professor, a Educação, que é a chave de desenvolvimento para qualquer nação, no Brasil já está estatisticamente provado que deixa a desejar.

- A educação brasileira continua em patamares inferiores a países até da África, vamos dizer assim, o que é lamentável. Quando você pega estatísticas comparando a educação do Brasil com a de outros países, a nossa está num patamar muito ruim.

Lindomar observa que vários fatores contam para os baixos índices educacionais no Brasil, sendo que um deles, ressalta o professor, a maioria dos especialistas em educação falam a verdade-- seria a "bendita elite", que insiste em não querer o progresso que contemple a todos.

- A partir do momento que eles veem o filho de um pobre, de um negro ocupando cargos, lugares que antes eram reservados somente aos filhos dos brancos e ricos, isso incomoda. É a questão da "senzala entrar na casa grande". A elite brasileira ainda não quer, nem aceita isso, e o Brasil ainda continua com uma estrutura muito parecida com a do período colonial, imperial, aquele modelo de sociedade. Por fim, para melhorar a educação é preciso grandes investimentos.

Ao final, indagado se tinha a missão do dever cumprindo enquanto educador, se é convicto do papel que exerce em sala de aula, professor Lindomar Fernando foi categórico e disse não saber.

- Eu só sei que bem ou mal eu já dei e estou dando a minha contribuição de alguma forma porque eu sempre deixei claro apesar de muito pobre, a própria profissão de professor, o que é lamentável as pessoas entrarem muitas vezes pela questão econômica quando deveria ser por vocação, isso é lamentável, pois entendo que todos nós deveríamos entrar mas por vocação, mas por questão de circunstância e da própria condição social do país faz com que as pessoas se tornem professor por uma questão mais econômica.

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