PAPO DE BOLA: Ex-jogador e agora treinador Anibal Lemos recorda suas vivências no futebol: "faria tudo outra vez"

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

PAPO DE BOLA: Ex-jogador e agora treinador Anibal Lemos recorda suas vivências no futebol: "faria tudo outra vez"

Aníbal Lemos contou um pouco da sua vida boleira ao Papo de Bola

Por José Loiola Neto/Esporte Local- Papo de Bola

Entrevistado do Quadro Papo de Bola" no Programa Eldorado Esportivo da FM Eldorado em 19 de janeiro último, o ex-volante(típico camisa 8) Joaquim Oliveira Lemos Junior ou simplesmente Anibal Lemos, um dos destaques do futebol piauiense nas décadas de 1970 e 80 ao vestir as camisetas de vários clubes, dentre as quais a do Ríver, clube que demonstra ter um carinho especial.

A carreira futebolística de Aníbal teve início no final dos anos 1970. Nascido e criado ao lado do estádio municipal Lindolfo Monteiro, ele conta que ainda enquanto criança viveu muitos bons momentos do futebol piauiense, pois por várias vezes foi e avistou aquela praça esportiva lotada, a multidão prestigiando o Rivengo(maior clássico do futebol piauiense).

- Ao ver aquilo bateu em mim aquele desejo se ser um jogador para conferir a emoção naquele palco.

Anibal lembra que o pai não era muito afeito a futebol, assim como quase toda a família, por isso passou por algumas situações tendo um encantamento bloqueado porque o seu genitor não o levava para assistir aos jogos. Coube então a um vizinho-- Seu Ernesto que morava a poucos metros da sua casa lhe convidar para ir até o estádio, coincidência ou não era um Rivengo e aquele senhor tinha grande paixão pelo Flamengo. O menino Anibal com apenas 8 anos disse ter ficado encantado ao acompanhar a entrada dos times em campo e a partir dali nascia uma paixão no futebol.

- Seu Ernesto era flamenguista e chegou a me dá uma pressão: olha Aníbal, você vai torcer pelo Flamengo!, mas ao ver os times entrarem em campo eu vi aquela camisa tricolor e foi assim: amor a primeira vista pelo Ríver. Futebol, as vezes não tem jeito, o pai quer que  filho seja torcedor do time que ele torce, mas o filho vai por outro lado. Sou grato a Seu Ernesto, agradeço ele por ter me levado para o jogo, mas fiquei com aquela com aquela imagem da camisa do Ríver em minha mente. Era uma camisa vermelha tradicional dos anos 1960, muito bonita.
Aníbal Lemos
A falta de escolinhas de futebol à época fez com que o Anibal buscasse os campinhos próximos ao Rio Parnaiba, eis que aos 14 anos teve oportunidade pela primeira vez de ingressar em um time de futebol-- no Flamengo, que á época "garimpava" garotos para serem lapidados pelo "Pato Preto", um descobridor nato de talentos, o maior talvez, até o dias atuais, na concepção do nosso entrevistado.

- Fiquei no Flamengo até os 16 anos, depois disso a minha família se mudou para Timon-MA por motivo de trabalho e outros compromissos tive então que abandonar o Flamengo. Aos 17 anos já estava num colégio tradicional de Teresina, o Leão XIII, do professor Moacir Pereira Campos, tive a honra de ter estudando lá e parte da formação foi feita lá e agradeço até hoje ter adquirido muitos ensinamentos daquele educador.

No Colégio Leão XIII, criaram o Colorado e Aníbal foi convidado a participar, o que lhe rendeu a oportunidade de conhecer Rui Lima e Cacá, formaram um time muito competitivo e jogaram por várias partes do Piauí, inclusive em Elesbão Veloso.

- Foi uma partida memorável, era final dos anos 1970, lembro que o goleiro de Elesbão Veloso era o Hindenburgo, lembro também do meu querido amigo Tunda(falecido em fevereiro do ano passado), a gente até convidou ele para vir jogar pelo Piauí, naquele time que tinha Cacá, Manguinha, Rui Lima, Washington, Sanatiel o goleiro "Batista Mão de Onça"; ficamos ali por dois anos, depois fui para São Paulo, joguei um ano pelo Marília no Campeonato Paulista.
Anibal Lemos lembrou da sua ida a um Rivengo quando tinha apenas 8 anos
Depois do retorno de São Paulo, o então jogador Aníbal enfrentou alguns problemas de lesou, depois recuperado foi jogar pelo River, onde viveu bons momentos, alias ele ousa em dizer que viveu os tempos áureos do futebol piauiense.

- Não me arrependo, pelo contrário, se tivesse que viver de novo eu viveria porque era algo que estava no meu sangue, dentro do meu coração e não tinha como tirar. É fato que não acumulei fortunas no futebol piauiense mas por outro lado me deu prazer.

Aníbal garante que é um cara muito simples, se considera bastante satisfeito e tranquilo, na medida em que tem sua formação profissional, era servidor público lotado na Prefeitura Municipal de Teresina, tendo se aposentado no final do ano passado. Há cinco anos trabalha com escolinhas na AABB de Teresina e equipes para competições, treinou a equipe de funcionários da Caixa Econômica que participa de um Campeonato Brasileiro na modalidade todos os anos, treinou o time da OAB que participa de competições nacionais.

- Tenho como estar sobrevivendo mesmo não estando em nenhum time profissional como não estava há três anos, mas sempre exerci atividades ligadas ao futebol, onde fiz muitas amizades e colegas também, sou um cara bastante família, estou sempre cercado do meu irmão único, minha família diretamente, meus filhos, minha esposa, a família dela, sempre que pode estamos em família.

Envergando a camisa 8 pelos times que passou, perguntado se jogava inspirado em algum jogador famoso à época, Aníbal disse que viu jogar Sima, Perivaldo, Méinha, Nunes, até porque ao contrário dos dias atuais não tinha muito contato com o mundo exterior, nem mesmo com o eixo Rio-SP.

- Nossos ídolos eram os jogadores locais e não acho nenhum demérito eles serem considerarem meus ídolos-- Sima, Perivaldo, Méinha, meu amigo Panzilão, um cara que eu admirei bastante. Sou um cara muito piauiense mesmo e meus maiores ídolos são piauienses. Depois, quando passamos a ter acesso, gostava muito do futebol do Zico, Rivelino, Roberto Dinamite, esses caras que jogavam no futebol carioca, muito badalado na época.

Fazendo uma comparação o que foi o futebol piauiense para os dias atuais, Aníbal Lemos disse que havia um conceito de futebol diferente, já que era jogado com os fundamentos levando em conta as técnicas que o futebol requer, ensinando como o atleta dominava a bola, sobre visão de jogo, como se ter um bom passe e como ter espírito de equipe.

- O futebol hoje é muito mais coletivo e participativo, passou a ser um futebol mais dinâmico no sentido em que você tem que correr mais. A técnica hoje foi deixada um pouco de lado e passou a ser um futebol mais tático, de marcação, um futebol que não tem mais aquele camisa 10 clássico, dificilmente se tem aquele camisa 8 ou 10. Temos hoje um monte de volante, três zagueiros, você defende muito, as equipes jogam um futebol mais precavido, até porque os treinadores querem manter os seus cargos.
Ex-jogador e agora técnico Anibal Lemos. Ele dirige o Piauí no Estadual 2018
O ex-jogador analisou a saída precoce de jovens talentos do futebol brasileiro rumo a Europa, especialmente, e disse ser favorável pois o futebol dos dias atuais é uma vitrine nos grande centros incluindo Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França. Aníbal já teve um filho que viveu a experiência de ter ficado um certo tempo na Europa.

- O Max teve uma oportunidade no Atlético de Madrid quando tinha 16 anos.. Ficou dez anos lá, infelizmente teve problema de contusão muito séria e teve que parar, mas teve um aprendizado muito grande.


VIDA COMO  TREINADOR

Sua primeira experiência como treinador foi em 2002, quando foi na verdade era auxiliar técnico do ex-atacante Mirandinha no Flamengo-PI. Mirandinha saiu alegando problemas particulares e Aníbal permaneceu naquele time que tinha o ex-goleiro Ronaldo Bucar como presidente.

- A partir daquele ano-- 2002-- treinei o Flamengo, fomos vice-campeão, depois treinei Ríver, Piauí, Comercial de Campo Maior, 4 de Julho, Parnahyba...

Aníbal não teve ainda a honra e experiência de ter deixado seu estado para trabalhar em outras praças e foi enfático em dizer que não vislumbra tal possibilidade, pois considera que do altos dos seus 58 anos(18/08/1959) tem sua vida financeira resolvida, talvez não muito boa, porém tranquilo, além do que para ser treinador fora depende de uma série de fatores.

- Eu não tenho empresário e você depende de um bom empresário. Eu recebi um convite do Guarany de Sobral e outro do Fluminense de Feira de Santana, mas a oferta financeira era muito inconsistente,proposta muito aquém do valor que eu percebo aqui em Teresina, então eu resolvi não arriscar.

A mais nova experiência de Anibal Lemos no cenário piauiense será comandar o Piauí EC o famoso "Enxuga Rato" no certame estadual. O Piauí se comparado a outras equipes, como Parnahyba e Altos tem um elenco modesto, o que não intimida o esperançoso treinador que encorajou o grupo formado em sua maioria por jovens com idade entre 18 e 20 anos.

- Eu não vou dizer que sou pretensioso a ponto de dizer que meu time com atletas jovens é favorito ao título. Enquanto técnico estou sempre falando que é possível e que eles tem condição. Temos algumas adversidades no dia a dia, mas estou tentando falar para meus jogadores que superação não é uma escolha, é uma necessidade e no Piauí essa máxima em que ser atualizada toda hora que a gente se encontrar, precisamos repetir isso. Temos apenas o Campeonato Piauiense para disputar e vamos tentar fazer o melhor.

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