DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português com professor Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 22/07/2018

domingo, 22 de julho de 2018

DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português com professor Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 22/07/2018



Por Antonio da Costa, professor de Língua Portuguesa

Sentar à mesa / sentar na mesa

A expressão adverbial que indica lugar, com ideia de contigüidade (junto, próximo) é à mesa.  Sentamos à mesa para debater o assunto. Com esse significado, tradicionalmente se tem condenado o uso da preposição “em” (na mesa). Entretanto, esse uso é ocorrente na linguagem coloquial. Exs.: Jacira me esperava sentada na mesa (= junto à mesa).

Muitos puristas condenam a expressão ‘na mesa”, dizendo que “sentar na mesa” é “sentar-se em cima da mesa”, dando valor da preposição  “na” como sentido real. Observe que dizemos simplesmente: Sentamos na praça para conversar; Senta na praça toda tarde, sem nos preocuparmos em pensar que sentar na praça é sentar-se no chão; sentar-se na calçada é sentar-se no chão da praça. Todos sabemos que, quando dizemos, sentar na praça, está implícita a ideia de que toda praça tem bancos; sentar na calçada já está implícita a ideia de cadeira. Portanto, a primeira expressão  “sentar à mesa” - é própria do padrão culto da língua e a segunda – “sentar na mesa”  é do falar coloquial, popular

A meu ver / a nosso ver / a seu ver
As expressões do tipo “a meu ver”, “a nosso ver” e “a seu ver” indicam opinião. Elas se iniciam por uma simples preposição (sem acento). Segundo as indicações normativas, também não há o artigo masculino (ao meu ver, ao nosso ver ou ao seu ver). Exs.: Presidente agora, a meu ver, tem de vir ao Xingu; Ele dá a sua opinião; a seu ver, nada a tentar ali no meio da estrada.

Essas inclusões trifásicas constituem, a nosso ver, um dos aspectos mais interessantes já encontrados em gemas. Entretanto, são usuais as expressões desse tipo com artigo definido, na linguagem popular, coloquial. No padrão culto não devemos usá-las.

A olhos vistos
É a expressão adverbial que significa “visivelmente”: Algumas dúzias de dias palacianos, e o homem rejuvenescia a olhos vistos”. Indica-se, nas lições tradicionais, a possibilidade de o particípio “visto” concordar com aquilo que é visto, como em “A mulher rejuvenesce a olhos vista”. Entretanto, tal tipo de construção não correu,

A lá carte
É expressão francesa usada para referência a refeição com escolha individual dos pratos e das bebidas. Ex.: Para convencer os operários de que a reforma administrativa era necessária, a Nestlé acabou com a discriminação do refeitório para os funcionários e restaurante ‘à la carte” para a chefia.

Bastante / bastantes
Como advérbio é invariável: Os alunos estudaram bastante (= muito). Como adjetivo, varia: Foi à casa de Paulo bastantes (muitas) vezes.

Bílis ou bile
Ambas as grafias são corretas. Incorreta é bíles.

Champanha (gênero)
É palavra do gênero masculino: Este champanha é excelente.

(*) Professor Antonio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.

Nenhum comentário:

Postar um comentário