Enfermeiro Getúlio Portela sobre AIDS: "hoje não há grupos de risco, há comportamento de risco"

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Enfermeiro Getúlio Portela sobre AIDS: "hoje não há grupos de risco, há comportamento de risco"

 
Enfermeiro Getúlio Portela em foto tirada em 2014.

Por José Loiola Neto/Destaques de Elesbão Veloso

O mês de dezembro é marcado pelas ações de prevenção e combate a AIDS em todo o Mundo, e no Brasil, por meio de iniciativas desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, estendidas às secretarias de saúde nos estados e municípios.

O Dia de D de luta contra a doença é 1º de dezembro. Importa lembrar que essa enfermidade que teve primeiro caso no Brasil diagnosticado em 1982 em São Paulo ainda não tem cura. No Piauí, o primeiro caso de AIDS foi confirmado em 1986.

Ouvido pela reportagem, o enfermeiro Getúlio Portela, que atua pelo Programa Saúde da Família- PSF junto a Secretaria de Saúde do município de Elesbão Veloso discorreu sobre AIDS, em princípio fez uma abordagem geral em relação a doenças, incluindo o conjunto de sintomas para que de fato possa precisar se o paciente está acometido, uma vez que o fato de a pessoa ser portadora do vírus HIV não é o mesmo que ter Aids, conforme o enfermeiro.

- A AIDS ataca o sistema imunológico e uma das células essenciais no nosso organismo que é o Linfócito T, que é quem comanda a resposta imunológica, o HIV tem preferência por esse tipo de célula, há um ataque deixando o sistema imunológico desnorteado, sem saber o que fazer, dai vem uma infecção oportunista comum como uma gripe ou outra infecção respiratória.

Na entrevista o enfermeiro destaca que em termo de comportamento das pessoas em relação a doença nota-se uma mudança de postura quando comparado aos anos 1980 e 90, talvez pela ação positiva dos medicamentos para tratamento da AIDS oferecidos gratuitamente na rede pública de saúde.

- Antes as pessoas tinham ideia de que uma pessoa com Aids era caquética, a imagem do Cazuza foi muito forte e mexia com a cabeça das pessoas que imaginavam que para ter AIDS tinha que estar como Cazuza. Nos dias atuais temos um coquetel anti-HIV que já é bem mais potente e dá uma qualidade de vida aos pacientes, a partir daí as pessoas passaram a não dá mais tanta importância ao preservativo.

A cada ano, o Ministério da Saúde divulga os números pertinentes a AIDS, sendo que nos últimos anos o que se percebe é que o público jovem(na faixa etária entre 19 e 34 anos) tem sido os mais afetados, ou seja, a contaminação pelo HIV entre eles é mais frequente.

Para Getúlio Portela, essa ascensão vai de encontro a chamada "liberdade sexual", confundida por algumas pessoas com a falta de prevenção não apenas a AIDS, mas a outras doenças que fazem parte do conjunto das chamadas Doenças Sexualmente Transmissíveis-DST´s.

- Não apenas aqui em Elesbão Veloso e no Piauí, mas em todo o Brasil temos vários casos por exemplo de sífilis, que ao contrário da AIDS tem cura, uma vez que é perfeitamente tratável desde que descoberta precocemente, no entanto se você pegar a sífilis numa fase terciária fica mais complicada de ser tratada com eficácia.

A respeito da sintomatologia da AIDS, Getúlio disse que cada indivíduo reage de uma maneira diferente, mas é provável que nos primeiros dias pós-contaminação, o sujeito venha a ter febre, fraqueza e diarreias constantes.

- Importante lembrar que é preciso que seja um conjunto de sintomas para que seja feito um diagnóstico laboratorial do problema e hoje o município de Elesbão Veloso já conta com o serviço de testes rápido para diagnóstico da doença.

Dentre as ações desenvolvidas em Elesbão Veloso pela Secretaria de Saúde no mês de luta e combate a AIDS  destaques para palestras para a disseminação de informação quanto aos meios de transmissão e o acesso a teste rápido para diagnóstico da doença, durante evento no Posto de Saúde do Bairro Piçarra, no passado 18 de dezembro.

- Os testes oferecidos são gratuitos e voltados para aqueles que querem realizar, não é obrigado a pessoa realizar, mas aqueles que tem dúvidas podem tirar.

O número de óbitos por HIV/AIDS teve uma redução no Brasil e o enfermeiro atribui a alta qualidade do tratamento por meio do coquetel Anti-HIV, o que não quer dizer tudo esteja bem e as pessoas não precisam se prevenir, tanto é que por outra parte, as contaminações continuam, prova disto é que durante o ano passado em media 1,8 milhão de pessoas contraíram AIDS.

- Eu fiz um cálculo e dá entre 11 e 12 pessoas que contraíram AIDS a cada 12 segundos; no início, pela falta de informação tivemos números alarmantes, em 2006 atingiu um pico enorme algo em torno de 5 milhões de pessoas no mundo.

Sobre os chamados grupos de risco, Getúlio lembrou o começo do histórico acerca doença aonde atrelavam a AIDS aos homossexuais e frisou que independentemente de quaisquer situação é muito fácil se prevenir. 

- É preciso observar o comportamento de cada indivíduo, quem tem múltiplos parceiros com certeza faz parte do chamado grupo de risco. Nos dias de hoje, aumentou aquela questão de mulheres casadas que contraíram HIV certamente porque o marido ou companheiro deu uma pulada de cerca, não se preveniu e acaba trazendo a doença para casa.

O enfermeiro encerrou dizendo que não apenas em Elesbão Veloso e no Estado há motivos de sobra para se preocupar com a AIDS, haja vista que a doença está ai, contudo é necessário que se diminua o preconceito com o portador.

- Isso se deve a desinformação e a natureza da doença por se tratar da origem sexual, ainda temos uma sociedade muito conservadora, no Nordeste, quando se fala em AIDS só acha que é sexual e a contaminação não é necessariamente sexual, o indivíduo pode se contaminar via sangue numa transfusão etc.

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