DE OLHO NA LÍNGUA - Dicas de português do Prof. Antônio da Costa de Sobral-CE - Sábado - 08.02.2020


“Tampar o sol com a peneira” ou “Tapar o sol com a peneira”?

A frase correta é: Tapar o sol com a peneira. “Tapar o sol com a peneira” é uma expressão popular usada no sentido de “tentar exaltar algo com medidas temporárias, parcialmente eficientes ou ineficientes”. A pessoa que tenta “tapar o sol com a peneira” deseja adiar a responsabilidade de resolver algo no presente para o futuro.

Tampar / Tapar (Qual a diferença?)
Tampar é fechar usando tampa ou qualquer outra movediça própria. Assim, tampamos panelas, garrafas, bueiros, vidros de remédio, etc.

Tapar é fechar, encobrir, vedar, vendar, sem necessidade do uso de tampa. Desta forma, tapamos tudo o que tem tampa e o que não tem tampa: tapamos a boca, a orelha (antigo ouvido), os olhos, o nariz, um buraco qualquer. Numa propaganda de televisão, certa vez, recomendava-se um medicamento para desobstrução do nariz. Assim: Dormir com o nariz “tampado” é o maior sufoco. Desse jeito, francamente, não dá nem para dormir.

Beringela ou berinjela?
As duas formas existem na língua portuguesa e estão corretas. Berinjela (com J) é a forma correta de escrita no Português brasileiro. Já beringela (com G) é a forma de escrita usada no Português de Portugal (PE), o Português europeu.

Colchão / Coxão (Qual a diferença?)
São duas palavras que não devem ser empregadas uma pela outra, principalmente a primeira pela segunda, quando esta designa corte de carne. Exs.: coxão mole, coxão duro. Chegar a um açougue e pedir um “colchão” é confiar demais na dentadura.

“O pessoal gostam de você” / ”A turma gostaram da aula”
Se o sujeito está no singular (pessoal – turma), como pode o verbo ir para o plural? Ah, o pessoal gosta de você? E da língua? Da língua a turma não gosta.

“O casal de médicos abandonaram o paciente em coma”
 E a língua? A língua, o casal de médicos também abandonou em coma? Esta saiu num dos principais jornais de nossa capital: O casal de escritores “são” também convidados especiais do presidente. Isso é demais!

Demais e de mais (qual a diferença?)
Demais (numa só palavra) é advérbio de intensidade (= em excesso): A ideia de Bruno era boa, mas havia papéis em demasia. “De mais” (o oposto de de menos) é expressão constituída por preposição e pronome indefinido ou por preposição e advérbio.

É certo que as expressões “cerca de” e “aproximadamente” só se usam com números redondos?
É o lógico. Quando você diz que cerca de 10 pessoas estavam no ônibus, está querendo dizer que eram 8, 9, 11 ou 12, porque não pôde precisar o número exato de pessoas que estavam no veículo. Sem o número redondo, não há por que usar qualquer dessas expressões. Se fossem 8 as pessoas, bastaria construir: Estavam 8 pessoas no ônibus. Se fossem 12 as pessoas, bastaria dizer: Estavam 12 pessoas no ônibus.

(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos: (88) 99868-2517 e (88) 98141-2183.

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