REVISTAS SEMANAIS- destaques de capa das revistas que estão chegando às bancas e residências dos assinantes neste final de semana. Sábado, 25 de Julho 2020.





ISTOÉ Edição  2.637

Capa- A cultura da autoridade

Autoridade doentia

Alguns dos piores traços do caráter nacional têm se manifestado com frequência, nas últimas semanas, e mostrado que a propalada cordialidade brasileira não demora um segundo para virar ilusão. São constantes as imagens de gente querendo ganhar discussões no grito, impondo autoridade, dando “carteiradas”, agredindo inocentes e, principalmente, recusando ser chamada de cidadã ou cidadão, como se fosse uma afronta. Parece que a cidadania virou uma ofensa pessoal e a grosseria deveria se impor como padrão de comportamento. Os problemas vão muito além da pandemia, estão nas nossas raízes, mas a exigência de uso de máscaras para proteção contra a Covid-19 e a proibição de aglomerações tornaram-se os maiores disparadores de discórdias. Agentes de saúde e profissionais de segurança, que tentam fazer as regras serem cumpridas, são alvos de pessoas que se acham superiores e expõem o lado mais pernóstico da nossa cultura, que tem no rebaixamento um de seus pilares. “Sabe com quem está falando?” é a frase preferida do anticidadão brasileiro para mostrar-se melhor do que os outros e burlar as regras.
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VEJA  Edição 2.697
Reportagem de capa- Supremo Tribunal Virtual: o 'cancelamento' destrói as reputações - e o bom senso

De Anitta a J.K. Rowling, passando por personagens históricos como Colombo e a princesa Isabel, ninguém escapa da onda feroz que contamina as redes sociais

Entre Cristóvão Colombo e Anitta há uma distância de cinco séculos, e muitas léguas marítimas. Também não há conexão óbvia entre a princesa Isabel e a escritora inglesa J.K. Rowling. Ainda que por vias tortas, os tempos atuais deram um jeitinho de unir o descobridor da América, a cantora funk, a signatária da Lei Áurea e a criadora de Harry Potter: todos são vítimas da “cultura do cancelamento”. Onipresente nas redes sociais, a expressão está na boca do povo: segundo o Google, as buscas pelo tema cresceram 1 200% nos últimos três meses. Não se engane, porém: “cancelar” qualquer pessoa, anônima ou famosa, é um evento implacável e violento — mesmo que amparado em razões teoricamente justas. Woody Allen foi acusado de abusar da filha? Está cancelado.  A atriz Alessandra Negrini se fantasiou de índia no Carnaval, irritando quem condena a “apropriação cultural” de povos e minorias? Canceladíssima. A fúria atinge os vivos, como Anitta (“traidora”) e J.K. (“transfóbica”), mas nem os mortos escapam: nos protestos antirracismo nos Estados Unidos, estátuas de Colombo foram atacadas por simbolizar a opressão contra os índios; no Brasil, a princesa Isabel foi levada ao, digamos, Supremo Tribunal Virtual por ter “roubado” dos negros o protagonismo na Abolição. 
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ÉPOCA Edição 1.150

Capa- QUEM É O DESEMBARGADOR QUE DESDENHOU DA LEI AO SER MULTADO EM SANTOS

A cena de um magistrado atacando guardas por se recusar a usar máscara é um exemplo da “carteirada” e destes tempos marcados pela negação da ciência e pela falta de coletividade
A profusão de sobrenomes do desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira já lhe concede um ar fidalgo. Sua vida confirma a filiação à elite paulista. Os Almeida Prado são uma das famílias mais tradicionais do estado, com uma história que remonta ao Império. A família Rocha de Siqueira está acostumada aos círculos do restrito Judiciário bandeirante: filho de juiz, Eduardo Rocha de Siqueira também tem um irmão bacharel, o promotor Francisco Almeida Prado Rocha de Siqueira. Pecuaristas, criam gado em Birigui, São Paulo, onde também plantam juta e milho. Ele possui diversas propriedades: ÉPOCA contou 41 matrículas de imóveis que citam seu nome apenas no estado de São Paulo. O magistrado também é bem recompensado pelos cofres públicos: em meio à crise sanitária do novo coronavírus, recebeu, líquidos, R$ 44.626,97, acima do teto constitucional de R$ 39.200.

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