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| Chico Bezerra no dia do seu aniversário de 82 anos |
Por José Loiola Neto
Chico Mulato, como também era conhecido, morreu em Teresina após agravamento do quadro de saúde; sapateiro marcou gerações com seu trabalho artesanal e seu jeito simples de viver
Elesbão Veloso perdeu, na madrugada desta quinta-feira (1º/10/2026), uma de suas figuras mais conhecidas e singulares. Francisco Bezerra Araújo, o 'Chico Bezerra', 'Chico Mulato' ou simplesmente “Caro”, morreu por volta das 2h30, aos 82 anos, em um hospital de Teresina.
A morte ocorreu após o agravamento de um quadro severo de anemia, acompanhado de parada cardiorrespiratória. Antes de ser transferido para a capital, Chico havia dado entrada por duas vezes no Hospital Norberto Moura. No final da tarde de quarta-feira (30/9), diante da piora do quadro clínico, foi encaminhado para Teresina, mas não resistiu.
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| Chico Bezerra cercado por familiares no dia do seu aniversário |
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| Chico Bezerra com a esposa Raimunda Loiola e neto Karlos Emanuel |
Cardiopata e usuário de uma válvula aórtica mecânica desde 2013, Chico vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos meses, período marcado por sucessivas idas e vindas a unidades hospitalares.
UMA VIDA DEDICADA À ARTE DO COURO
Nascido em Alto Longá-PI, em 14 de setembro de 1944, Francisco Bezerra passou parte da infância em Teresina antes de chegar a Elesbão Veloso no início da década de 1970.
Na cidade, construiu uma trajetória profundamente ligada ao trabalho artesanal. Foi um dos mais conhecidos artesãos sapateiros de Elesbão Veloso, dedicando décadas à fabricação e ao conserto de calçados de couro.
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| Chico Bezerra com o filho Cícero e a nora Conceição |
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| Chico Bezerra em sua oficina |
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| Chico Bezerra com a esposa Raimunda Loiola e a filha Anna Maria |
Antes de manter os próprios negócios, trabalhou ao lado do irmão Zé Bezerra e, posteriormente, com o senhor Nezinho Sales. Em 1982, passou a comandar a Remontaria de Calçados O Bezerra, atividade que manteve até março deste ano.
Também esteve à frente do Quiosque Brisa da Noite, que funcionou entre 1988 e 1997.
FAMÍLIA CONSTRUÍDA EM ELESBÃO
Foi em Elesbão Veloso, em 1974, que Chico conheceu Raimunda Loiola. O namoro se transformou em casamento e, juntos, tiveram cinco filhos: José Loiola Neto(1975), Jessy James Bezerra Loiola(1976), Márcio James Bezerra Loiola(1978), Cícero José Bezerra Loiola(1984) e Anna Maria Bezerra Loiola(1987).
Os filhos lhe deram 10 netos, que, ao lado da esposa, formavam o núcleo familiar mais próximo de Chico.
Ele era filho de Maria José Ribamar (1916–1986) e Jacinto Bezerra (1912–1987). Tinha como irmãos Maria Alice Bezerra Costa (1936–2013) e José Bezerra (1938–2013).
UM HOMEM SIMPLES, DE JEITO PACATO
Quem conviveu com Chico Bezerra certamente guardará a imagem de um homem de fala mansa, comportamento pacato e jeito simples, que não fazia questão de ostentar ou chamar atenção.
Era reservado, vivia muito voltado para seu próprio universo e mantinha uma maneira peculiar e inocente de enxergar a vida. A pescaria estava entre suas atividades preferidas e o futebol também ocupava lugar especial em sua rotina.
Entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980, frequentava assiduamente o Nogueirão, acompanhando de perto os tempos considerados áureos da Seleção Elesbonense. Entre os jogadores daquela época estava seu sobrinho, o zagueiro Roberval Bezerra.
ÚLTIMO ANIVERSÁRIO AO LADO DA FAMÍLIA
Pouco mais de duas semanas antes de sua morte, Chico havia completado 82 anos, no dia 14 de setembro.
Na ocasião, estava em Teresina, na residência de sua nora Conceição, cercado pela família. Segundo familiares, naquele dia ele se mostrava especialmente feliz, em um momento que agora ganha um significado ainda mais especial para aqueles que conviveram com ele.
A partida de Chico Bezerra pegou de surpresa a esposa, os filhos, netos, demais familiares e amigos.
O corpo foi velado na residência da família, na Avenida Moisés Lima Verde, em Elesbão Veloso, e sepultado na manhã desta sexta-feira (2/10), no Cemitério Sambaíba.
Com sua morte, Elesbão Veloso se despede não apenas de um sapateiro, mas de um personagem que ajudou a construir, com simplicidade e trabalho, parte da memória cotidiana da cidade.
Francisco Bezerra Araújo — “Chico Bezerra”, “Chico Mulato” ou “Caro”
* 14/09/1944
✝ 01/10/2026
Descanse em paz.






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