Por José Loiola Neto
A comunidade Sossego, em Elesbão Veloso, realizou com sucesso a terceira edição do Festival do Caju, entre os dias 29 e 31 de outubro, evento que vem se consolidando no calendário da comunidade e reunindo moradores e visitantes em torno da valorização da produção local, da cultura e da economia da região.
A líder comunitária Sônia Monteiro fez uma avaliação positiva da programação e destacou que o festival surgiu em 2024, a partir de uma ideia da professora Irene Macedo. Antes da realização do evento, segundo ela, boa parte dos moradores não aproveitava o fruto do caju, limitando-se à coleta e comercialização da castanha.
- Antes, a gente apenas colhia a castanha, guardava e vendia. O fruto era dado aos porcos. Hoje, não. Tudo mudou, relatou Sônia.
A mudança fez com que o caju passasse a ter maior importância econômica para as famílias da comunidade. Sônia afirma que a fruta é produzida em grande quantidade no Sossego e que praticamente toda a área da comunidade possui cajueiros.
- A produção vem crescendo. Este ano triplicou se comparado ao ano passado e tem trazido renda para todos nós. No período entre o final de agosto e o final de novembro, nossa economia aquece bastante. Garantimos um dinheiro para melhorar nossa casa, comprar mantimentos e pagar o comércio, destacou.
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| Dona Sônia Monteiro, uma das coordenadoras do Festival do Caju |
Durante o festival, os moradores comercializam diversos produtos derivados do caju, entre eles doces, castanhas, brigadeiro, bife de caju e paçoca, além de outras variedades preparadas pelas famílias da comunidade.
O evento acontece durante três dias e provoca uma intensa movimentação no Sossego. A preparação começa cerca de um mês antes e envolve diversos moradores. Para Sônia, o festival já vem ganhando notoriedade e ultrapassa a finalidade comercial.
- O festival não olha apenas para o lado da venda de produtos do caju. Temos música ao vivo, jogos, celebrações de missa, há um envolvimento da comunidade. Todos ajudam, explicou.
Uma história ligada ao plantio do caju
Sônia Monteiro também destaca a relação histórica da família com a formação da comunidade Sossego. Segundo ela, o local foi criado por seu avô, o saudoso Zeca Bilé. Já a iniciativa de incentivar o plantio de cajueiros partiu de seu sogro, José Pereira da Costa, conhecido como Zé Mudo, já falecido.
Segundo Sônia, grande parte dos cajueiros existentes atualmente na comunidade foi plantada a partir de 1985, dentro de um projeto desenvolvido com a orientação do agrônomo Francisco Alves, conhecido como Chico Alves, do Emater.
- Grande parte desses pés de caju na comunidade foi ele que plantou, desde 1985. Foi um projeto feito através do agrônomo Francisco Alves, o Chico Alves do Emater. Ele frequentava aqui e era muito carismático. Ele idealizou a plantação de caju e deu certo. Foram plantadas cerca de 300 mudas na época, lembrou.
Com o crescimento da produção e a criação do Festival do Caju, o fruto passou a ocupar um espaço ainda maior na vida econômica e cultural da comunidade.
Além da valorização da produção agrícola, Sônia Monteiro aproveitou para defender ações de preservação ambiental. Comprometida com as causas ambientais, ela defende a redução das queimadas e o incentivo ao plantio de árvores, especialmente espécies frutíferas.
A experiência do Sossego mostra como uma produção tradicional pode ganhar novos significados quando há organização comunitária, aproveitamento dos recursos naturais e incentivo à geração de renda.


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