DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português do professor Antônio da Costa, de Sobral-CE – Material de domingo, 16.07.17

Todos os países da América Latina
Quando se refere a substantivo, o “todos” sempre exige artigo: Conheço todos os jogadores; Visitei todas as bibliotecas; O Brasil deve criar um bloco com todos os países latino-americanos. É preciso tomar cuidado com os numerais. Se o pronome “todos” se referir a numeral que não é seguido de substantivo, não se usa o artigo: Todos cinco foram detidos; Todas três estavam contaminadas. Se houver substantivo, o artigo será necessário: Perdi todos os cinco discos; Ganhei todos os dez livros da coleção.

No jantar, éramos sempre seis
Na linguagem familiar brasileira, é comum o uso da preposição “em’ com o verbo “ser”, quando se indica o número de pessoas presentes. Ex.: “Em quantos vocês são?’, pergunta o garçom. “Somos em cinco”, respondeu um dos componentes do grupo. A construção “ser em + numeral” provavelmente resulte de tradução literal do italiano (Siamo in cinque; siamo in sei). Na variedade padrão do Português, essa construção não encontra abrigo. “No jantar, éramos sempre seis”. Existe um romance com o título “Éramos seis”, que foi transformado em novela pela Rede Globo.

Til e o acento agudo na mesma palavra
Muita gente estranha o fato de a palavra “órfão” receber acento agudo e til. Isso é perfeitamente possível. O til indica a nasalização do ditongo presente em “órfão”. O acento agudo em “órfão” se deve ao fato de essa palavra ser paroxítona terminada em “ão”. Caso semelhante se vê em órgão e bênção, que, pelos mesmos motivos, recebem acento agudo e circunflexo, respectivamente.

Tarzan ou Tarzã? Mirian ou Míriã? Iran ou Irã?
Muitos leitores e leitoras têm esses nomes e me perguntam como se deve escrevê-los corretamente. Alguns se afoitam em dizer: “Meu nome eu escrevo do jeito que eu quiser”. Ledo engano, leitor. Veja o que diz o gramático Luís Antônio Sacconi (o nome dele no registro de nascimento é: Luiz Antonio Sacconi. Veja, o próprio gramático faz crítica em um de seus livros apontando os três erros em seu nome: Luís (escrito com “s” e acento no “i”); Antônio (tem o primeiro “o” fechado (ô), no Português de Portugal soa aberto (ó) – os portugueses escrevem em António e pronunciam como escrevem (António). Veja, o que diz o gramático: “No final das palavras, o “a” nasal é escrito “ã” (não mais “ãn”, como antigamente)”: Ivã, Irã, Calasãns, Tarzã, Ubiratã, Oberdã, Itapuã, Aquidabã, Maracanã, grã-fino, tobogã, rolimã, pavã, dobermã, cardã, sutiã, piatã, Jonatã, Sacomã, tucumã, Osmã, Renã, Líliã, Míriã.

Eiffel x Eifel (Pronúncia)
Eiffel (Pronuncie “eifél”) – célebre torre de Paris. Rima com Nobel, Fidel, pastel. Eifel (Com um só “f”, pronuncie “êifel”, com tonicidade no primeiro “e”) – uma região da Alemanha.

(*) Professor Antônio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9762-2542.