PAPO DE BOLA: Ex-centroavante Gena lembra os tempos em que brilhou como profissional, fala da situação do futebol piauiense e diz que faltam craques no Brasil: "os jovens estão todos indo embora"

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

PAPO DE BOLA: Ex-centroavante Gena lembra os tempos em que brilhou como profissional, fala da situação do futebol piauiense e diz que faltam craques no Brasil: "os jovens estão todos indo embora"

Atacante Gena relembrou os tempos em que foi profissional
Por José Loiola Neto/Esporte Local

Campeão do Campeonato de Cinquentões do Médio Parnaíba por Regeneração vencedora da final por 1 a 0  diante o selecionado de Elesbão Veloso, sábado passado, dia 30/12 em Agricolândia, o atacante Gena teve duplo motivo para comemorar, na medida em que o único gol da partida foi por ele assinalado, aos 23 minutos da etapa inicial.

Ao final da partida disputada no Estádio Alencarzão Gena foi nosso entrevistado para o quadro Papo de Bola do Esporte Local no Elesbão News e Eldorado Esportivo na FM Eldorado.

Atualmente com 55 anos, Gena, um velho conhecido do futebol piauiense e que se destacou jogando pelos principais times disse na entrevista que ainda pretende fazer o que gosta: jogar futebol por mais algum tempo.

Para quem não sabe, o ex-camisa 9 de Comercial, Caiçara e Ríver enquanto profissional, anos depois no naipe amador defendeu as cores da Seleção de Elesbão Veloso em torneios intermunicipais.

No princípio no nosso bate-papo Gena não escondia a satisfação em ter balançado as redes na final do Cinquentões, muito embora, segundo ele, o mais importante é constatar a presença de torcedores do estádio.

- Quanto ao gol, acho que fui feliz na finalização, porque geralmente quando não estamos em um dia de sorte a gente termina perdendo. Acho que tive um pouco de sorte e capacidade também, algo que sempre tive no futebol.
Gena jogou iniciou carreira no futebol do Rio Grande do Norte
Gena lembrou que seus primeiros anos como profissional foi no Rio Grande do Norte, depois atuou por dez anos em times da capital, incluindo o Ríver em 1987 acumula passagens por Comercial e Caiçara de Campo Maior. A trajetória do atacante como profissional se findou em 1994.

- Depois disso passei a jogar como amador, disputei alguns intermunicipal, no momento atuou no futebol amador lá em Teresina, adoro jogar futebol, apesar da idade já avançada mas continuo fazendo isso por paixão. Acho que poucos jogadores chegam a essa idade(55) correndo como eu, que gosto de tomar a minha cervejinha... O importante é a gente está com saúde e jogando futebol.

Analisando o futebol piauiense em duas vertentes: o da sua época e da atualidade, Gena entende que mudou não apenas o futebol no Estado, e sim no pais, isso porque naquele tempo em praticamente todas as equipes tinham mais craques, ao contrário de hoje.

- Naquela época todos os times no Brasil tinham entre 8 e 10 craques, hoje você vê um craque no futebol brasileiro todo.

O ex-jogador que a falta de dinheiro nos clubes interfere no surgimento de nos valores, dessa forma tem aberto espaço para outros mercados da bola, como a Europa que tem dominado as últimas 3 décadas, e com mais força nos últimos 10 anos.

- Hoje, qualquer jogador com 15 ou 16 anos já vai embora, e deixa de mostrar o seu futebol aqui, dai eles crescem lá e fortalece ainda mais o futebol europeu. O futebol da Europa hoje é o futebol brasileiro antigamente.

Para Gena, não apenas priorizar as categorias de base vai resolver o problema das revelações de novos craques no futebol brasileiro. Na verdade, observa o ex-jogador, que a juventude está indo para um outro lado, dessa forma, aqueles que querem jogar bola vão embora, os que ficam aqui querem ir para balada, algo não muito comum em seus tempos de boleiro.

- A gente simplesmente era da casa para escola. Os de hoje bebem além da conta. Acho que sempre fui disciplinado, cuidava da forma física. Fui um jogador que fui apenas uma vez expulso como profissional, peguei poucos cartões amarelos. O importante é a gente ser disciplinado e jogar bem, algo que fiz, pois sempre fui procurado não apenas por times daqui, mas de fora também.

Com uma vida particular e financeira relativamente boa, Gena disse que sempre jogou futebol por gostar e não propriamente por salário, pois se assim fosse à época não iria alcançar um sucesso na vida. Apesar de nunca ter levado nenhum "cano" enquanto atleta profissional.

- Joguei no Comercial, o diretor era o Dr Célio Corrêa, eu ganhava três salários mínimos por mês, e ele sempre me pagou direitinho, ele era um cara muito responsável. Fui para o Ríver-PI, à época o salário que eles me prometeram me pagaram. Mas no geral, acontece de muitos times no futebol piauiense, principalmente hoje deixar de pagar é não é nem porque queiram dá cano, é porque não tem dinheiro mesmo, já que hoje, as dificuldades são grandes não apenas no futebol piauiense, mas brasileiro.

O convite para atuar pela Seleção de Regeneração no III Campeonato de Cinquentões do Médio Parnaíba também foi pauta da nossa conversa. Segundo Gena, a amizade com Ricardinho, outro jogador do selecionado regenerense pesou bastante para a tomada de decisão.

- Gostei muito de ter participado desse torneio. Foi a primeira vez e tive a sorte de ter sido campeão e feito o gol do título. Acho que essa iniciativa de organizar campeonatos para veteranos é importante demais, serve de incentivo, o jogador antigamente era dispensado já que não tinham esses torneios, mas hoje eles já acontecem e serve para a gente sentir que estamos realmente vivos para o futebol.

A prática esportiva vai até onde as pernas aguentarem. Determinar até onde vai é complexo, porque os dias não são iguais, mas enquanto Deus lhe der força e perna vai continuar a jogar futebol, algo que adora fazer. Além disso, a estadia no futebol que rendeu e rende bons amigos, prova disso é a clientela que possui em seu comércio(do ramo de material de construção), grande parte deles são pessoas que conheceu no mundo do futebol.

-Acho que metade dos meus clientes conheci no futebol, e essa amizade ajuda até a gente ganhar dinheiro

Gena finalizou deixando uma mensagem para os jovens que sonham em ser um jogador de futebol. Ele ressalta que antes de mais nada a garotada precisa respeitar os pais, serem obedientes tendo em vista se tornarem cidadãos.

- Depois é preciso estudar e praticar uma modalidade esportiva naquele que ele se identificar para que ele se forme realmente para a vida futura. Se fazer sempre acompanhado de gente boa, deixar de andar com turma que não te leva a lugar nenhum. Acho que hoje a coisa desandou porque os pais não prestam mais a atenção como antigamente, mas o filho que for obediente vai ser um vitorioso não apenas no esporte, mas na vida.

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