DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português do Professor Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 25/03/2018

domingo, 25 de março de 2018

DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português do Professor Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 25/03/2018



Por Antonio da Costa, professor de Língua Portuguesa

O relógio marcou meio-dia e meio
Errado. A palavra que se refere a hora é “meia”.  Meia hora e não, meio hora. A construção correta é: O relógio marcou meio-dia e meia. Isto é: meio-dia e meia hora. Diz-se: dez horas e meia (hora); vinte horas e meia (hora) e assim por diante.

Da ou dá?
Da = preposição “de” + artigo “a”: Ele vem da praia. Dá= 3ª pessoa do singular do verbo “dar” (presente do indicativo): Ele dá tudo de si.

Por ou pôr?
Por é preposição: Vou por este caminho. Pôr é verbo: Vou pôr o livro sobre a mesa. OBS.: Esse caso é uma das exceções que ficaram após a mudança ortográfica de 1971, que aboliu a regra do acento diferencial. OBS. 2 - Somente o verbo pôr tem o acento circunflexo. Os verbos derivados não têm acento: expor, compor, dispor, contrapor, impor... OBS. 3 - As demais palavras terminadas em “or” não têm acento gráfico: cor, dor, for...

Exceção ou excessão?
Todos nós sabemos dos perigos que existem quanto à ortografia. Todo cuidado é pouco. A Língua Portuguesa não é puramente fonética e, muitas vezes, só a etimologia (estudo da origem das palavras) é capaz de explicar o emprego das letras.

Isso significa que não há regras para você saber que “exceção” se escreve com “c” e que “excesso” é com “ss”. Na prática, o que nos leva a saber ortografia é o bom hábito de ler e de escrever. É a nossa memória visual que nos impede de escrevermos caxorro, caza e oje. Não hesitamos diante de uma palavra que estamos acostumados a ver e usar corretamente, é claro. Ler é a melhor solução. E, ao escrever, se houver dúvida, não tenha vergonha de abrir um bom dicionário. Pesquisa não faz mal algum.

Inglaterra confirma invasão ao Iraque
Errado. Jamais poderá ocorrer invasão a lugar algum. Porém, o que é possível acontecer é invasão “de” algum lugar. Diga-se: Inglaterra confirma invasão do Iraque; invasão de privacidade; invasão de domicílio; A invasão do estádio pela polícia deu-se às 20 horas de ontem.

Não estacione! Sujeito a guincho
Errado. Nada pode estar sujeito a um “objeto” que, neste caso, é o guincho. A frase correta é: Não estacione! Sujeito a guinchamento. “Sujeito a” só pode estar para uma ação que seria de guinchamento.

A palestra agradou os congressistas
O verbo agradar, usado como transitivo direto, significa fazer carinho ou mimar e é usado sem preposição “a”. A construção correta é: A palestra agradou aos congressistas. O verbo agradar, usado como transitivo indireto, significa corresponder à expectativa, satisfazer. É usado com preposição “a’’.

Posso usar “no entretanto” no lugar de “no entanto”?
Não.  Use sempre “no entanto” ou, então, apenas “entretanto”: Brizola disputou eleição presidencial, no entanto não passou para o segundo turno; Brizola quer ser presidente, entretanto ainda não conseguiu o seu objetivo. Existem muitos jornalistas que não tiram o “no entretanto” da boca. Que fazer?

(*) Graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, funcionário do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral (CE). Contatos:  (088) 99762-2542.

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