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O ocaso de um histórico: Inácio Arruda engata a quarta suplência consecutiva e vê relevância minguar nas urnas

Há tempos a política deixou de ser um mar de rosas para figuras que pararam no tempo, e o retrato disso ficou escancarado nas urnas de outubro de 2026. O ex-senador e veterano Inácio Arruda (PCdoB) amargou mais uma derrota em sua longa trajetória, registrando pífios 28.901 votos e empilhando a sua quarta suplência consecutiva para a Câmara dos Deputados.

O que se vê hoje é a derrocada melancólica de quem um dia já ocupou o topo do poder político no estado. Para um político que ostentava com orgulho o feito histórico de ter chegado ao Senado Federal em 2006, a realidade das últimas décadas tem sido a de um ocaso inevitável, figurando irremediavelmente na retaguarda da política cearense.

A decadência eleitoral de Inácio salta aos olhos quando confrontada com o passar dos anos e o esvaziamento de seu capital político junto ao eleitorado:

  • 1988 a 2006 (A Era de Ouro): Onde acumulou mandatos de vereador, deputado estadual, três passagens pela Câmara Federal e o apogeu ao se eleger senador da República.

  • 2012 e 2014 (O Início da Queda): Após uma derrota vexatória na disputa pela Prefeitura de Fortaleza em 2012 (ficando isolado em 4º lugar), tentou retornar a Brasília em 2014, mas bateu na trave com 55.403 votos, inaugurando sua via-crúcis na suplência.

  • 2018 a 2026 (A Irrelevância Crônica): O descolamento das bases populares aprofundou-se de vez. Foram apenas 24.657 votos em 2018, uma leve oscilação para 47.672 votos em 2022 e, agora em 2026, o fundo do poço com minguados 28.901 votos.

O dado mais patético dessa decadência estrutural reside no contraste financeiro: mesmo irrigado com somas milionárias de fundos partidários e recursos públicos despejados pela direção nacional de sua sigla para tentar mantê-lo artificialmente na ativa, a máquina partidária já não consegue comprar o voto do eleitor para ele.

Desconectado das novas demandas da sociedade e preso a velhas fórmulas, Inácio Arruda assiste impotente à própria irrelevância, transformado em um figurante de luxo que sobrevive apenas à sombra do passado, dependendo de migalhas ou arranjos de bastidor para ver o cheiro de Brasília.

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