PAPO DE BOLA: Ex-jogador “Chico Doido” lembra infância, os bons tempos do futebol em Valença do Piauí e se declara rival da dupla Crovapi/Sevapi: “não sei acender duas velas”

Por: José Loiola Neto

Policial Militar desde abril de 1992, com atuação especialmente em Valença do Piauí, onde possui residência fixa, Francisco Sousa Santos, o Chico Doido, 47 anos, sempre teve uma vida intimamente ligada ao esporte, especialmente o futebol amador.

Figura popular, conhecida não apenas naquela cidade, mas na Microrregião, prova disto é que percorre todas as cidades do entorno acompanhando de perto o desenrolar de competições. Nos últimos meses ele tem vindo a Elesbão Veloso prestigiar a Copa Verão.

Chico comenta sobre sua vida de desportista e afirma ser rival da dupla Sevapi/Crovapi

Nascido em Canabravinha, zona rural de São Miguel do Tapuio, tendo chegado a Valença do Piauí com apenas 9 meses de vida, Chico Doido lembra que começou a trabalhar cedo, aos 8 anos já ajudava sua mãe, que trabalhava como vendedora ambulante em uma banca.

– Eu estudava a tarde e ficava a manhã inteira com ela vendendo verduras, banana, café…

A vida no futebol em Valença também foi logo, ainda criança, entre 9 e 10 anos junto com amigos formou uma equipe, que jogava em todos os bairros da cidade.

– Passamos a jogar apostado, eu não tinha dinheiro, mas os colegas tinham e a gente ia competir, lembro que era no tempo do cruzeiro, apostávamos 20, 30 cruzeiros, o que a gente ganhava íamos gastar.

Influente no meio futebolístico, tendo prestigiado futebol amador em outros estados próximos ao Piauí como Ceará, Bahia e Pernambuco, Chico Doido, torcedor fanático do Vasco da Gama conta que mantém amizades com algumas pessoas do futebol no Rio de Janeiro, o que já lhe rendeu a oportunidade de enviar atletas de Valença para testes em times da Cidade Maravilhosa.

– Amizade no futebol é fácil você fazer, basta você ir para as cidades levando os boleiros, dai é só se entrosar, eu deixei de jogar, mas continuo levando e trazendo atletas que disputam campeonatos em várias cidades não apenas no Piauí, mas fora.

Chico Doido: muitos fatos do mundo da bola

No momento, Chico Doido traz para Elesbão Veloso para disputa da Copa Verão, os jogadores Jean, Lata, Franzé, do Moto Táxi; Tássio e Nem, do Pé do Morro.

Em Valença, além de “Os Amigos”, seu primeiro time, quando ainda era garoto, Chico Doido formou o Moeda Trincada, campeão de futebol society do Loreto, bairro de Cidade Sorriso em cima do Combatentes, time basicamente formado por PM´s.

– O time deles era forte, tinha Delson, Santana, Sargento Lino, Sargento Luis, que eram muito bom de bola, eles tinham nome no futebol, mas nosso time foi campeão.

Chico lembrou que durante a década de 1990 haviam seis bons times no futebol valenciano, sendo que Sevapi e Crovapi eram os mais famosos e sempre chegavam às decisões, mas outros times também se destacavam e demonstravam força para brigar em pé de igualdade, casos de Combatentes, Cohab, Independente, Pista Nova e Flamenguinho.

– Naquele tempo ninguém ganhava dinheiro. Depois surgiram alguns dirigentes colocando dinheiro para tirar dos times os bons jogadores, eles inflacionaram o futebol de Valença, e hoje, os atletas em sua maioria só jogam se ganhar dinheiro.

Perguntado se concorda com a situação de atletas amadores receberem para jogar, nosso entrevistado foi enfático em dizer que é natural, pois tinham dirigentes que na época que só queriam ganhar, colocar o dinheiro no bolso, esquecendo os atletas que corriam e suavam a camisa pela vitória, sendo esquecidos no final.

– Eles(dirigentes) não ajudavam os boleiros, ai eles(atletas) passaram a ser mercenários também. Eu concordo com os jogadores, até porque o custo de vida em nossa região é muito ruim, muitos tem nesses jogos um meio de vida, tem cara vivendo disso, atletas que jogam na sexta à noite, no sábado pela manhã e às vezes a tarde, no domingo pela manhã e a tarde, dependendo do calendário, joga cinco vezes no final de semana, ganhando entre R$ 150 e 250, tá feita a feira da semana, já que quando terminar tudo ele tem apurado R$ 600,00.

Enquanto jogador, uma partida que lhe traz boas recordações foi quando ele estava lesionado do joelho direito em 2005, época em que estava à frente do Vale Verde, disputando um torneio municipal que contava com as participações de Sevapi e Crovapi. Esse time contou com a participação do atacante Pantico, que teve passagens por várias equipes do futebol brasileiro e é amigo pessoal de Chico Doido. A final foi contra o Crovapi, vitória por 3×1.

Recordando as passagens e atletas famosos da época, especialmente na década de 1990, Chico lembrou o elesbonense Biguelê, que já vestiu camisas de times daquela cidade incluindo o Combatentes e Sevapi. No campo da rivalidade, ele deixa claro que sempre considerou a dupla Sevapi-Crovapi como rival, dai nunca teve interesse de defendê-los.

– Sou igual político, se for de um lado, estou daquele lado, eu não sei acender duas velas, só sei acender uma, não sei acender uma para o “Nego Véi” e outra para Deus, só sei acender uma, então aprendi ser adversário deles, é tão provável que consegui desmontar eles, depois disso não fizeram mais campeonatos, a rivalidade era forte, haviam brigas, muita confusão, o pau quebrava, o Railton chegou a brigar, Zé Gatinha também, foi expulso naquela decisão, e é por isso que eu ganhei nome no futebol, porque eu trouxe um bocado de jogadores do interior que eram tidos como “não sabendo jogar bola” e conquistamos o título municipal de 2005.

Sobre os intermunicipais, ele lembrou a Seleção de Valença em 1982, a qual, ele ainda com apenas 12 anos acompanhava os jogos dentro e fora da cidade.

– O treinador daquele time era Tião Poty, ex-goleiro; hoje ele convive lá com a gente, tomando uma cervejinha, mas não quer nem ouvir falar em futebol por causa dos mercenários, pois ele não gosta disso, ele conta que jogou bola por muito tempo e nunca fez seu pé de meia.

Ao comparar os jogadores da sua época com os da atualidade, Chico Doido observa que hoje temos bons jogadores, porém, não são melhores que o décadas atrás, na medida em que naquele tempo haviam o que pode se chamar de fora de série.

– Eram jogadores que decidiam uma partida a qualquer momento, hoje não existe mais isso, temos muito bons jogadores, porém deles que rebolam muito e jogam para torcida, quando deveria jogar para o time.