O folclórico "Melão", homem que viveu em Elesbão Veloso nas décadas de 70 e 80 e viajava a pé para Juazeiro do Norte e Canindé-CE.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O folclórico "Melão", homem que viveu em Elesbão Veloso nas décadas de 70 e 80 e viajava a pé para Juazeiro do Norte e Canindé-CE.

Imagem ilustrativa de um andarilho. Google
Por José Loiola Neto/História e Fatos de Elesbão Veloso.

Entre as décadas de 1970 e 80 havia em Elesbão Veloso um homem aparentemente rústico, com idade mais ou menos em torno de 60 anos. Quando ainda criança entre 1980 e 83 lembro de ter visto por algumas vezes o tal homem que atendia por  "MELÃO" e chamava a atenção por seus trajes sempre despojado e um saco de pano sobre a cabeça. Melão, contam os mais velhos foi um andarilho nato, que percorreu grande parte do Nordeste, especialmente os estados da Paraíba, Alagoas e Ceará.

Difícil acreditar, mas Melão foi várias vezes a pé em visita aos santuários de Padre Cícero em Juazeiro do Norte e São Francisco em Canindé-CE. As andanças de Melão demoravam meses e sua finalidade principal além de prestar sua devoção aos santos era adquirir imagens a quem requisitasse seus serviços. Eram muitas as pessoas em Elesbão Veloso que entregava-lhe dinheiro para que ele comprasse imagem santas como São Francisco e Padre Cícero.

Detalhista e honesto, apesar do muito tempo que ficava longe da cidade, ao retornar Melão entregava a imagem e devolvia o troco aquela pessoa, impressionante é que eram dezenas de pessoas, mesmo assim, dono de uma mente prodigiosa, apesar do jeitão rudimentar aquele andarilho sabia de cor sobre os pertences de cada um que lhe confiava a entrega do dinheiro para aquisição do objeto.

Nessa última terça-feira(16/1/18) veio em minha mente a figura daquele senhor e resolvi puxar o assunto com minha avó Maristela Rodrigues Teixeira, que apesar das sequelas que ficaram depois de sofrer um AVC no final de 2016 ainda tem uma memória impecável e sem titubear lembrou de Melão, figura folclórica em nossa Elesbão Veloso no século passado.

- Ele existiu sim. Ele ia de Elesbão Veloso para Juazeiro e Canindé a pé e trazia os santos para as pessoas que entregavam o dinheiro a ele que ficava vários meses por lá, mas quando voltava dava conta de tudo.

Ainda de acordo com dona Maristela, o andarilho Melão era morador de uma fazenda pertencente ao Major Odilo na zona rural de Elesbão Veloso. Melão era solteiro e não constituiu família, uma trouxa(saco de pano) sobre a cabeça era sua principal marca. Não se sabe a verdadeira identidade do homem, e nem que fim o levou nas últimas décadas, não sabemos se é vivo ou falecido.

- Ele sempre caminhava por longo roteiro. Todo dia vinha da fazenda do Major Odilo para a cidade e ia pelo menos duas vezes no ano para Canindé e Juazeiro. Ia e voltava, quando chegava era distribuindo os santos que comprava e devolvendo o troco.


Nonato Lima, filho do saudoso professor Cornélio lembra sobre o folclórico andarilho "Melão": "chamava as crianças de melãozin"

Recém-aposentado pelo Inmetro-CE, o senhor Nonato Lima, um dos filhos do professor Cornélio(in memória) e que viveu em Elesbão Veloso com a família durante um bom tempo(parte das décadas 1970 e 80) em conversa conosco disse se lembrar muito bem do folclórico e misterioso Melão.

Disse Nanato ao Painel Popular que Melão foi um andarilho que andava de Elesbão Veloso para Juazeiro do Norte e Canindé, e o pessoal de Elesbão Veloso à época sempre faziam encomendas de imagens de santos e dava o dinheiro para ele que ficava ausente por cerca de 6 meses a um ano, reaparecendo depois.

- Quando chegava ele prestava conta direitinho com todos. Era um andarilho meio doido, mas era uma pessoa altamente responsável, era muito honesto. Conheci ele bem de perto, cansou de sentar na calçada lá de casa e a mamãe dava alimento a ele, era muito desajeitado, mas prestava conta de tudo.

Nonato Leão disse que o andarilho Melão impressionava pelo fato de saber todas as casas na cidade, cujas pessoas tinham feito pedidos para compra de imagens santíssimas.

- Importante lembrar que ele entregava a imagem e o troco daquele dinheiro que a pessoa repassou a ele, que lembrava de tudo. Todo mundo gostava dele. Ele chamava todo mundo de "melão" e as crianças de "melãozin". Era uma figura folclórica que viveu em Elesbão Veloso. Gostava muito de ficar perto dele ouvindo suas conversas.

Nonato não esqueceu do detalhe do inseparável saco que Melão sempre andava sobre a cabeça para onde quer que fosse.

- Era um saco desses que vem com açúcar. Ali dentro tinha um pouco de roupa, alimento, e o resto era tudo encomenda. E uma detalhe: em Elesbão nunca ninguém mexeu com ele, até porque era uma pessoa muito bacana.

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