DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português com professor Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 29/07/2018

domingo, 29 de julho de 2018

DE OLHO NA LÍNGUA- Dicas de português com professor Antonio da Costa de Sobral-CE- Material de domingo, 29/07/2018

 
Travessa / Beco. Imagem ilustrativa. Crédito: TripAdivisor

Por Professor Antonio da Costa
 

Rua Boulevard João Barbosa, Rua Travessa do Xerez, Rua Alameda Fulano de Tal
Em Sobral, é comum ver-se placa com esses dizeres. É bom que seja feita a correção. Sejamos sucintos e corretos, usemos somente: Bulevar João Barbosa (Bulevar é aportuguesamento do Francês “Boulevard”); Travessa do Xerez; Alameda Fulano de Tal.


Travessa / Beco
Convém não confundir: Travessa (que se abrevia com “T.” ou “Trav.”) é a rua curta, estreita ou larga, transversal entre duas ou mais ruas principais. Beco (que se pode abreviar com Bº.) é a rua curta, estreita, quase sempre sem saída, imprópria para o trânsito de veículos. Pode ser apenas um elo entre vias maiores (Largo e Rua; Rua e Praça).

"Eu me precavenho contra acidentes” ou “Eu me previno contra acidentes”?
A segunda: Eu me previno (me acautelo) contra acidentes. Este verbo (precaver) nada tem de comum nem com verbo “ver” nem com o verbo “vir”. Dizer: eu me precavejo ou eu me precavenho; que ele se precavenha; eles se precaviram ou eles se precavieram é incorrer em gravíssimo erro de conjugação.

O que há é o seguinte: O verbo é defectivo (são verbos que tem deficiência na conjugação, isto é, são os que não possuem todas as formas verbais), sendo usado somente nas formas arrizotônicas, nas que é inteiramente regular.

Por outras palavras: O verbo precaver-se não se conjuga na 1ª, 2ª e 3ª pessoa do singular, nem na 3ª do plural do Presente do Indicativo (faltando, por conseguinte, todo o Presente do Subjuntivo e a 2ª pessoa do singular do Imperativo), sendo, nas demais pessoas, totalmente regular, notando-se que o verbo sempre vem acompanhado do pronome oblíquo. Para substituir as formas de inexistentes, empregamos um verbo sinônimo, como acautelar-se, prevenir-se ou precatar-se.


Transvasar / transvazar (Qual a diferença?)
Convém não confundir: Transvasar é passar de um recipiente (vaso) para outro: A mãe transvasou o leite quente, até que esfriasse. Transvazar é entornar, derramar: As crianças transvazaram muito leite na mesa.


Transpassar / traspassar / Trespassar
As três formas existem: As balas traspassaram-lhe o coração. A terceira forma é mais usada em Portugal.


Trasladar / transladar
Ambas as formas existem, mas a primeira tem leve preferência. Diz-se o mesmo em relação a traslado e translado; trasladação e transladação: No pacote turístico está incluído o traslado do aeroporto para o hotel e também deste para as praias.


Treinar / treinar
Ambas as formas existem, mas convém dar preferência à primeira.


Trepar (Regência verbal)

Em Portugal se trepa “a”; no Brasil se trepa “em”. Na norma culta, convém seguir o uso português (o que não ocorre com os brasileiros). Exs.: Trepar ao muro; trepar ao poste; trepar ao telhado; trepar à árvore. Nós, brasileiros, usamos: Trepar no muro; trepar no poste; trepar no telhado; trepar na árvore.

(*) Professor Antonio da Costa é graduado em Letras Plenas, com Especialização em Língua Portuguesa e Literatura, na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). É, também, servidor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Sobral. Contatos: (088) 9409-9922 e (088) 9762-2542.

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